segunda-feira, 30 de junho de 2008
De todas a mais esperada, a mais desejada, sem dúvida de todos os gatos que tive e terei daqui para a frente, a mais amada.
Margareth Mieux chegou no dia seguinte à minha decisão de ficar com a Felicity, e foi tão festejada quanto adorada.
Pequenina, frágil, delicada, uma rosa trêmula nascida no começo da primavera, um risco de cor pela casa.
Mas vou contar, antes de sua partida, a história de sua chegada. E não se entristeçam, porque meu amor por ela é imortal, jamais irá se apagar do meu coração.
Domingo, 27 de outubro de 2002. Acordei cedo, e a Lucy passou por aqui para irmos ao Campo de São Bento, onde encontraríamos a Susana para resgatar alguns gatinhos. Bom, encontramos a Susana saindo de casa.
Três caixas em punho, fomos procurar as mãezinhas que tinhamos ido resgatar. A pretinha era um doce, tão meiguinha, tão pequena, do tamanho das minhas peludinhas... Os filhotinhos uns espirrinhos de gatos, que crueldade os pobrezinhos ali jogados, mas o dia me reservava coisas muito piores ( e melhores, graças a Deus ). Pegá-la foi uma tranqüilidade, e partimos em busca da outra. Quando chegamos perto do muro, vimos seis filhotes, dois muito pequenos e quatro maiores, mais ou menos um mês. Fiquei passada em ver o estado dos bebês, os dois pequeninos eram de chorar. A mãe ( era mãe dos maiores, os outros dois foram jogados ali, minto, eram três, mas um branquinho estava morto mais adiante, segundo nos informaram ) era muito arisca e estava nervosa, e aquela gente toda passando por ali não ajudava em nada. A Lucy conseguiu agarrá-la, mas ela se desvencilhou antes de ser colocada na caixa, deixando muitas mordidas de recordação.
Ficamos um tempo tentando atraí-la, e nesse interím apareceu uma moça, com uma caixa com 4 filhotes petibancos. Eu fiquei p. da vida quando a vi, porque achei mesmo que estava indo ali abandoná-los. Adorei os desaforos que disseram a ela, e confesso que só me convenci das boas intenções da moça depois de muito tempo.
Bom, ficamos tentando pegar a mãe, e chegou a Ligia, que logo viu que um dos bebês menores não estava nada bem... Olhei... Era uma tricolorzinha minúscula, com cordão umbelical, tão miúda, tão peluda, gente... Era exatamente como eu sempre quis. Aquele serzinho lutou tanto, foi tão brava, tão valente, e a Ligia tentou de tudo para salvá-la, mas já era muito tarde... Ela permaneceu em minhas mãos e lá morreu, depois de muito lutar pela vida. Chorei tanto, não me conformava de jeito nenhum com aquilo, aquela vida ali indo embora e nós tão impotentes para salvá-la...
Ela morreu, e eu chorei muito, chorei tanto. Eu já tinha me prometido que ficaria com ela, que ela teria uma mãe... Não disse nada a ninguém, mas chorava também por isso. É difícil de entender, talvez, mas eu a amei tanto naqueles momentos, a amei como se fosse minha. Senti como se fosse minha. Era a tricolor que eu queria, e estava ali em minhas mãos. E se foi. Foi duro demais, nunca vou me esquecer da sua carinha tão linda. Fiquei muito tempo com ela nas mãos, só olhava, não acompanhei sequer o resto do resgate, não sei, acho que estava em outra dimensão. Estava perdida na dor que eu sentia, na raiva que eu sentia.
Depois fui ao banheiro, e enquanto eu ia, sei que sumiram com aquele corpinho. Serei eternamente grata por isso, não suportaria mais olhar para ela...
Bom... Depois disso, eu e Lucy fomos para a casa da Cecilia com a gata e todos aqueles filhotinhos. Uma gata tão boa, tão generosa... Quantas pessoas seriam capazes de um gesto assim ? Ela estava com oito filhotes, dos quais apenas três eram dela, e aceitou a todos sem queixas.
Na outra caixa, seguiam os quatro filhotes maiores. Ao chegar, foram todos distribuídos entre as mãezinhas que haviam por lá. Fico pensando na maldade de quem os jogou ali, sinceramente, seres como esses, capazes de jogar fora um ser tão indefeso, deviam ser condenados à morte sem chance de perdão. Me perdoem, mas sou radical. Se pensamento matasse, eu matava mesmo, sem dó.
Felizmente o dia não trouxe somente tristezas, e apesar das perdas, onze filhotes descansavam abrigados, e seriam cuidados com todo amor...
Deste dia inteiro, sai com essa tristeza, mas com uma grande alegria... Minha tricolorzinha desejada e esperada, que adotei lá na Cecilia. A pequena e linda Margareth Mieux.
Ela foi uma paixão destinada a ser minha desde que nasceu. Ela era minha desde então, ouvi falar nela todos os dias, e a esperei. Ao ficar com Felicity, achei que estaria abrindo mão dela para sempre... Mas naquele dia, ao olhá-la, não pude deixar de trazê-la. Os irmãos brincavam, ela não. Estava deitadinha, muito séria, com seus grandes olhos molhados. Linda, sempre linda. Chamei-a e ela veio, surpreendentemente, veio e se deixou pegar, ficou ronronando e me olhando... Claro que a trouxe.
Meg tinha apenas 39 dias, e era muito frágil, muito delicada. Eu não sabia então, mas desconfiei. Não posso dizer que fui enganada, vi o quanto sua vida era um fio, mesmo naquele dia... E mesmo assim a trouxe. Durante 14 dias, duas semanas inteiras, eu lutei para alimentá-la, para enche-la de vida, para faze-la crescer. Sonhei com ela adulta, sonhei em vê-la crescer tão linda, peluda e feliz. Mas infelizmente o destino não quis assim.
Na manhã do dia 9, encontrei minha bebezinha amada caída no banheiro. Estava em choque. Molhada, desfalecida, molinha. Estava morrendo. Em desespero completo, corri com ela nos braços para a clínica mais próxima, onde lhe deram soro e encaminharam para uma UTI. Foi ressuscitada e trazida de volta, e a vet da UTI ficou pasma ao ver que aquela coisinha fraca, tão miúda e tão debilitada, deformada pelo soro, ao ouvir minha voz começou a se agitar e, colocada em cima da mesa, caminhou na minha direção, subiu em meu peito e lá se aninhou, ronronando. Eu estava tão feliz então. Julgava que estava salva. Mas não...
No dia seguinte, de noite, ela começou a respirar com dificuldade. Corri para outra clínica, e lá ela teve uma convulsão, foi medicada e internada. Deixei-a lá com um aperto enorme no peito... Acho que já adivinhava. Passei todo o dia seguinte angustiada, e ao cair da tarde resolvi ir buscá-la.
Susana me acompanhou. E lá estava meu bebê, minha vida, jogada numa gaiola,em cima de uma bolsa de água fria, completamente dopada pelos remédios que lhe deram. Peguei-a desesperada, e fui para a casa da minha amiga Ana, sua madrinha, a pessoa em quem eu mais confiaria no mundo para cuidar de um bebê doente... E lá tentamos de tudo, mas em vão... Ela morreu nos braços da Ana, cercada pelas 3 pessoas que mais a amaram no mundo - eu, sua mãe; e seus padrinhos, que a viram nascer.
Meg tinha exatos 53 dias de vida. Era menor que um filhote de um mês. Mas aquele corpinho miúdo era enorme dentro de mim. É enorme na minha memória. Ela será sempre a filha mais amada.
domingo, 29 de junho de 2008
Minha bruxinha Mayfar chegou aqui num dia muito especial, o dia do mestre, 15 de outubro de 2002. Veio para ficar temporariamente, mas meus sentimentos em relação a ela foram tão confusos que acabou ficando. E como isso foi bom !!!
Felicity foi encontrada pela Fabiana, vagando na frente do prédio onde ela morava, em Copacabana. Eram três filhotinhos. Um foi pego e levado por uma senhora que passava. O segundo foi atropelado e morreu.... Sobrou a pequena Felicity, preta e branca como o Ivan, que eu mesma tinha doado para a Fabiana meses atrás.
Ela, claro, não conseguiu deixar a gatinha na rua, e mesmo contrariando o marido, que não queria nem que ela chegasse perto, porque já tinham três gatos e estava grávida, pegou a pequena e a deixou na portaria, dentro de um quartinho.
Nesse dia, eu tinha ido na casa de uma amiga, e foi lá que ela me encontrou, completamente desesperada, querendo saber se eu conhecia alguém que pudesse dar um lar temporário para ela. Bem... Eu imediatamente disse que ficava com ela.
E assim, fui para Copacabana, na casa da Ana, onde a Fabi foi me levar a gatinha.
Ela era pequena, feinha, magrela. Bonitinha, mas esquisitinha, hehehehe...
Tinha cara de anãzinha, cara de gata adulta num corpinho pequenino. Continua assim até hoje. Uma cara séria demais.
Bom... A gata ficou no banheiro, e comecei a anunciar. Uma pessoa quis adotá-la, mas na véspera de pegá-la, desistiu. Uma outra apareceu, depois mais uma, mas deletei as duas... O conflito dentro de mim era muito grande, e vou explicar porque.
Sempre desejei muito, demais mesmo, uma tricolor. Era a gata dos meus sonhos, aquela com quem sonhava. E achava que se ficasse com a Felicity, não poderia jamais tê-la... Por isso, queria doá-la. Mas ao mesmo tempo, olhava para aquela carinha, olhava para aquelas patinhas que me amassavam, olhava para o seu jeitinho, e me sentia mal por querer doá-la apenas porque queria uma outra em seu lugar... Me sentia terrivelmente mal com isso, afinal, que culpa ela tinha de ter nascido da cor errada ?
Por tudo isso, decidi de uma vez - ela ficava. Decidi isso num sábado... E no dia seguinte, chegava em casa a minha tricolor. Mas isso é uma outra história.
O que importava era que minha Fefê era uma gatinha adorável e apaixonante, e eu estava feliz por ter podido ficar com ela.
Felicity significa "felicidade" e era o nome da personagem título de uma série que eu assistia. Mayfar é o sobrenome da famosa família de bruxas criada pela escritora Anne Rice.
Nascida em: 13/08/02
Cor: Preta e branca
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Era uma gatinha amorosa e normal, até sofrer algo parecido a uma convulsão, em junho de 2003. Desde então, não é mais a mesma. Tornou-se rosnadora e medrosa, foge dos outros gatos e mesmo de mim. Teve vários problemas com fungos, provavelmente causados por stress. É uma gatinha difícil de lidar, mas ainda tenho esperanças de que isso melhore e reverta. Eu a amo demais, e tento fazer com que se sinta protegida e feliz. Não sei se consigo, mas tento todos os dias
sábado, 28 de junho de 2008
Maktub. Estava escrito.
Pelas mãos que trouxeram um anjo em forma de gata, chega um gato com feitio de anjo.
Um gato da cor do céu de tempestade.
De olhos maravilhosos e doces.
Um ser recheado de mel que lambe e beija.
Seu nome ? Pablo. Chegou com a Ana.
Surpresa inesperada, mas tremendamente gostosa.Veio da Cecilia, assim como a pequena gata-anja.
Assim como ela, veio cheio de amor e ternuras.
Mas veio para conquistar. Veio reinventar os sonhos.
Veio para ficar e trazer consigo toda a doçura da chuva serena que chega depois das trovoadas e vem lavar as tristezas.
Pablo Neruda, poeta e gato, chegou no dia 22 de junho de 2002, duas semanas após a partida da minha querida Thalia.
Chegou para preencher com seu amor o vazio que ela deixou.
Desde pequeno mostrou-se diferente, andava torto, como um jacaré em terra firme, tinha convulsões quando dormia, um lado da boca sem dentes, o mesmo lado inchado e sem bigode, e uma depressãozinha no alto da cabeça.
Nunca soube se ele nasceu assim ou se foi um tombo que o deixou desse jeito,mas que ele não é um gatinho comum, não tenho a menor dúvida. Provavelmente tem um problema no cerebelo. Mas não se sabe a causa, ou se há cura.
Cara de raposa, rabo peludo, vontade de ferro, teimosia enorme, um psicocat, obsessivo e compulsivo. Mas tão amoroso, tão companheiro, tão amado...
Ele dorme comigo todas as noites. Sobe no colo e é carinhoso ao seu modo. Atende pelo nome, vem correndo, rebolando.
É um chato, comigo e com todos os gatos, mas todos o toleram com a maior paciência do mundo.
Continua com seus tremores ao dormir em sono profundo, e ainda é meio desequilibrado... Mas já melhorou muito, e de uns tempos para cá anda até menos encapetado !!!
A despeito de todos os seus problemas, é o gato que pula mais alto, o único que sobe na escada feito gente, de degrau em degrau, e o único da casa capaz de executar pequenas proezas como pular através da tampa vazada da caixa de areia pousada na pia. E não erra o alvo.
É um menino especial, e por isso mesmo, é especialmente amado.
O nome era apenas uma homenagem ao poeta que tanto gostava de gatos, mas acabou sendo um nome profético, é o menor dos meus machinhos ( Pablo significa "pequeno ).
Nascido em: 22/03/02
Cor: Azul
Pêlo: Semilongo
Raça: SRD
Particularidades: Maluco beleza, mas sou louca por ele. Adora morder dedinhos, mastigar coisas que balançam e se pendurar em calças jeans. Compulsivo daqueles de passar o dia repetindo a mesma coisa vezes a fio. Companheiro incansável, que adora dormir na dobra da minha perna. Eu a dobro de forma especial para aninhá-lo melhor, confesso...
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Thalia, a décima terceira e derradeira ( ao menos era o que eu pensava ), foi a mais sonhada e desejada das gatas, mesmo antes de saber que viria. Ela veio para fechar o ciclo que se iniciou com a Pixoxó, gata da minha avó, há muitos e muitos anos atrás.
Thalia foi abandonada muito pequena, e foi levada para a casa da Cecilia, no bairro do Humaitá.
Mas para se entender a história de sua vinda, é preciso me reportar ao início da minha vida gateira. Sempre quis ter uma gata tricolor, que achava as mais lindas de todas as gatas. Tanto as tricolores com fundo branco, quanto as escamas, de cores tão misturadas.
Conheci tricolores lindíssimas, e ficava sempre com uma pontinha de inveja.
E sempre que via uma escama, lembrava dos tempos de criança e do pelo macio de Pixoxó amamentando seus filhotes.
Ao me mudar para meu próprio apartamento, decidi que a sétima gata que adotaria seria uma tricolor, e viria para fechar a conta. Sempre tive como certo que um dia teria gatos em número de sete ou treze, números que sempre me deram sorte, mas achava treze um número muito alto, difícil de alcançar.
No entanto, antes que a tricolor viesse, vieram os filhotes encontrados na Páscoa. O sonho parecia impossível de ser realizado, ainda mais com a chegada das duas bebês adotadas do Campo de São Bento.
Assim que adotei os bebês, surpreendentemente, começaram a me chegar propostas de tricolores, dos lugares mais inesperados. Parecia que o universo conspirava contra mim. Minha amiga Ana sempre que me ligava falava de uma gatinha, uma tartaruguinha, muito linda, arteira e sapeca... Mas eu resistia.
Até que, no dia 19 de maio, início da semana do meu aniversário, fui resgatar uma gata e seus filhotes com outra amiga, a Paty. Levamos mãe e filhos para a casa da Cecilia, onde encontramos a Ana e... a Thalia.
Confesso que não pude resistir... Após tantas adoções, eu achei que nada seria mais justo que ter meu grande sonho realizado !!! E agora os gatos da minha vida somavam treze, dos quais doze moravam comigo, e a Trinny com a minha irmã.
Thalia era uma pequena folgada, abusada, atrevida e muito despachada. Podia dizer que tinha fechado a conta com chave de ouro !!!
Mas infelizmente ela era um anjo disfarçada de gatinha e me deixou muito cedo, para brincar nos campos do céu.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
AS REPOLHINHAS Sua história começa com uma tragédia, a captura dos gatos do Campo de São Bento pelo CCZ de Niterói. No dia 3 de maio de 2002, o CCZ esteve no Campo recolhendo vários animais. Muitos já vinham desaparecendo, desde alguns dias antes.
No dia seguinte, um sábado, haveria uma panfletagem de protesto, e por isso fui à Niterói me encontrar com a Susana. Mal sabia eu o que me aguardava...
A panfletagem acabou não acontecendo, mas eu, a Susana e o marido passamos, é claro, pelo Campo de São Bento, e fiquei chocada em ver como a quantidade de gatos diminuíra. Como em todo sábado, havia uma feira de artesanato por lá, na qual, aliás, se vende muito mais que isso, vide o comércio vergonhoso de animais extremamente pequenos na porta do Campo.
Caminhamos pela feira, e qual não foi meu espanto ao ver uma bolinha felpuda e muito, muito pequena em meio à multidão... A bolinha estava perto de uma das barracas, e o vendedor disse que tinham jogado ali. Era uma gatinha branca com manchinhas cinzas, de carinha redonda. Que dor no coração !
Orientada pela Susana, a coloquei em um dos canteiros, e seguimos o nosso caminho. Mas é claro que não tirei a imagem daquela gatinha tão pequena e sozinha da cabeça. Pensei nela o resto do dia e a noite inteira. Me atormentava por não tê-la trazido... Sabia que em pouco tempo ela não mais existiria.
Então, no dia seguinte, mesmo sabendo que não podia, que era insensatez, liguei para a Susana e lhe pedi para trazer a gatinha. Ela me disse que havia uma irmãzinha, e eu lhe disse para trazer as duas. Era uma bolinha branca, de manchinhas pretas.
Estavam extremamente infestadas de vermes, e meu julgamento era mais que correto. Não teriam a menor chance de sobreviver além de uns poucos dias.
Não sabiam comer alimentos sólidos, e tive que fazer papinhas de ração e patê. Somente três semanas depois de sua chegada começaram a comer ração sêca, de tão pequenas.
Chamei-as de Paloma Picasso e Pandora Inês. Ambas são muito doces, e quando pequenas, como não pareciam ter lembranças da mãe verdadeira, pensavam que eu era ela...
Umas coisinhas queridas e boas, uma dupla de anjinhos que veio para mostrar que mesmo após a tragédia, a vida se faz ainda mais potente.
Paloma quer dizer "pomba, doçura", e o segundo nome foi uma homenagem ao pintor.Nascida em: 05/04/02
Cor: Branca e azul
Pêlo: Semilongo
Raça: SRD
Particularidades: Ambas têm o temperamento muito parecido, e são gatas excepcionalmente fotogênicas e charmosas. Paloma, no entanto, é uma das gatas mais amorosas que já vi na vida. Completamente apaixonada por mim. E eu por ela...
Pandora significa "dotada de todas as dádivas", mas o nome foi dado por outra razão. Pensamos inicialmente que era um menino... Quando vimos que não, ela recebeu seu primeiro nome em homenagem à mitológica Pandora e sua caixa de surpresas, e o segundo nome, em homenagem à Inês.Nascida em: 05/04/02
Cor: Branca e preta
Pêlo: Semilongo
Particularidades: Minha melhor top model, elegantíssima, é naturalmente fotogênica e sabe posar como ninguém. Muito tranqüila, muito na dela. Uma paixão peluda !
quarta-feira, 25 de junho de 2008
No sábado de Aleluia de 2002, meu irmão foi me mostrar cinco filhotes de uns 45 dias que corriam e pulavam pela casa aqui ao lado. Minha rua é super movimentada, nem preciso dizer que entrei em parafuso. Eles estavam com a mãe, mas que garantia isso é ? Ainda mais que a casa é toda aberta...
Então minha mãe foi perguntar ao dono da casa se ele queria dar os gatinhos.Ele disse que não eram dele, a gata tinha dado cria ali. E que quem estava cuidando era a dona do restaurante em frente.
Bom, minha mãe ficou tão preocupada que me sugeriu roubar os bebês de noite.Mas se eu fizesse isso, o homem saberia...
Fiquei inquieta o resto do dia, e fui dormir com o coração apertado, rezando por um milagre.
No dia seguinte, domingo de Páscoa, minha mãe me acorda às 8h perguntando se eu não ia buscar os filhotes, porque tinha ligado pra dona do restaurante e ela tinha dito que eu podia levar... Claro que fui correndo, nem pensei duas vezes.
Deu um trabalhão pegá-los, corriam pra todo lado, mas os dois rapazes que moram na casa conseguiram. E claro que um patê ajudou !!!
Então as cinco belezinhas ficaram aqui no banheiro, já alimentadas e dormindo na cestinha.
Mas... eu queria uma menina tricolor para fechar com sete... E assim que vi Aysha Bella, mesmo sem ser tricolor, me apaixonei !!! E resolvi ficar. Ela era a mais magrinha, a menorzinha e a mais espevitada. É tigrada com branco. O nome quer dizer "vida" em swahilli, e foi dado porque a Páscoa significa a passagem para uma nova vida, muito melhor... Que era o que eu desejava para mim e para a Inês.
Então anunciei os outros nas listas, e consegui donos para a tigradinha, que se chamou Tigrinha e foi para a Luisa, e o frajolinha, o Ivan Gattchenko, que ficou com a Fabiana. Só que...
Meu irmão se encantou com a branquinha de miado fininho... Que ficou se chamando Alyssa Bella ( significa "a vida verdadeira" ). Ela é muito carentinha, e adora se aconchegar em mim quando vou dormir. Mama na minha roupa até hoje.
Sobrava o tigradinho. Disse bem, sobrava. Passado. Porque eu e minha mãe olhamos aqueles olhos meigos e resolvemos ficar com ele. É meu amado Lucca Gabriel , de barriga de bolinhas, um anjinho bem comportado, de lindos olhos marcados com delineador.
Apenas uma nota triste. A mãezinha dos gatinhos, que a dona do restaurante havia prometido castrar e cuidar, morreu atropelada por um ônibus poucos dias depois... Não tenho a menor dúvida de que Deus olhou por estes gatinhos, e os salvou de uma morte certa.
Nascida em: 15/02/02
Cor: Tigrada e branca
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Muito meiguinha, porém medrosa. Viveu quase dois anos dentro de um armário, de medo dos outros gatos, mas hoje em dia está outra gatinha, toda serelepe e miante.
Alyssa deriva de Alice, que significa "verdadeira". Ela leva o mesmo segundo nome da irmã, Bella...Nascida em 15/02/02
Cor: Branca e tigrada
Pelo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Estressadinha de plantão, embora seja carentinha e mame até hoje na minha roupa. Detesta outros gatos, inclusive os irmãos; a única exceção é o galante Benjamim. Tem uma doença auto imune, o complexo gengivite-estomatite-faringite, e já teve que tirar quase todos os dentes, por conta dele. Apesar disso, leva vida normal.
Lucca significa "luminoso" e Gabriel "enviado de Deus".
Nascido em: 15/02/02
Cor: Tigrado e branco
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Um menino muito bonzinho, apaixonado pelo Benjamim, de miado fininho e delicado...
terça-feira, 24 de junho de 2008
BENJAMIM BLUENem toda estrela é dourada. Há as que são como a noite, e trazem consigo a alegria de conter em si todas as cores e nenhuma delas. Há uma estrela em forma de gato. Uma bela e negra estrela. Doce e chameguenta. Uma estrela chamada Benjamim.
Benjamim foi abandonado bem pequeno no Campo de São Bento, em Niterói. Um dia, foi escolhido pela Susana em meio a muitos outros gatinhos, para uma pessoa que queria muito um pretinho básico, e batizado de Iggy Pop.
Tudo parecia perfeito, mas... Nosso herói, aparentemente com traumas no passado, simplesmente avançava na cadela boxer que havia na casa.
Todas as tentativas de aproximação resultaram inúteis. Ele não se adaptava, e passou a ter que ficar isolado.
Já então era meu afilhado, e, quando retornei de uma viagem, sua ex-dona me ligou e perguntou se eu queria ficar com ele... Como eu já queria um gatinho preto, e havia ficado encantada com ele, aceitei de imediato !!! Sabia que era um gatinho dengoso, chameguento, delicioso. Como de fato ele é.
Assim ele veio, e foi rebatizado de Benjamim, que significa "filho da minha felicidade". O nome foi escolhido porque ele veio em um momento de mudança em minha vida, logo após eu ter tomado a decisão de ir morar sozinha. O nome foi um prenúncio da nova vida.
E Benjamim foi uma surpresa muito mais encantadora do que eu podia imaginar.
Ele é lindo, uma pantera, de pelo brilhante. É carinhoso e doce, dado e confiante, meu mestre de cerimônias que adora qualquer visita. Estou muito, mas muito feliz em tê-lo comigo.
Demorou um pouco mais que os outros para se adaptar aos irmãos, especialmente ao Victor, que tem a mesma idade... Mas hoje são grandes companheiros de farra, e todos adoram o brilhante Benjamim.
Faz o maior sucesso com as meninas, e é um gato especialmente querido. Não briga com ninguém, e ninguém o perturba. É um pilar de tranqüilidade.
Benjamim significa "filho da minha felicidade". Eu estava mudando para meu próprio apartamento, e achei que o nome era mais do que adequado... Blue signifinica "azul" em inglês, e hummm... Não dizem que a felicidade é azul ?
Nascido em: 15/11/01
Cor: Preto
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Um lord gentil e delicado, de boas maneiras e fino trato. Meu gorilinha de estimação. Esquentador de pés, barriga boa de coçar.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Victor teve uma entrada curiosa em minha vida. Eu já o conhecia desde bem pequeno.
No feriadão de 12/10 de 2001, fui para São Paulo, passar uns dias com minha amiga Inês.
Enquanto estava por lá, aliás, no próprio dia 12, ligou uma moça para ela contando que tinha encontrado três filhotinhos minúsculos, e não estava dando conta de alimentá-los. Essa pessoa disse ter sabido por uma amiga que a Inês estava com uma gata amamentando, e perguntou se poderia levar os filhotes para tentar que ela os adotasse.
A gata tinha dado a luz a quatro filhotinhos, mas estes morreram todos. Inês ficou meio em dúvida, porque a única filhotinha que havia ( também adotiva ), já estava com 45 dias, a gata poderia não aceitar...
Quando a moça chegou ( ela se chamava Nicole ), ficamos estarrecidas com o tamanho das criaturinhas. Mais pareciam umas larvinhas, não tinham ainda muito de gato... Umas coisinhas famintas, muito pequeninas, dava vontade de chorar.
Quando a Inês trouxe a gata, chamada Miriam Miau, para perto dos filhotes, ela não pareceu se interessar muito... E Inês disse, "olha, Miriam, Deus trouxe seus filhinhos de volta..." Milagre ou não, coincidência ou não, os filhotes começaram a gritar, e a gata os aconchegou ao seu lado, imediatamente começaram a mamar... E nós a chorar, é óbvio.
Bom, vim para o Rio, e o tempo passou... Inês precisou doar alguns gatos, e entre eles os primeiros seriam os filhotes...
Da ninhada abandonada só havia um sialatinha, pois as duas irmãzinhas morreram... Fora ele, havia uma gatinha preta e branca que Inês achou na rua.
Depois de passar algum tempo indecisa se ficaria com um adulto ou com um filhote, resolvi, por várias razões ( a outra bebê já tinha candidata, a Inês pretendia doar primeiro os adultos com problemas de adaptação ), ficar com o sialatinha.
Eu nem imaginava como ele seria, e muito menos como traria o gato pro Rio...
E eu sabia que ele ainda era muito bebê. Mas nem preciso dizer que fiquei logo animadíssima !!!
E quando cheguei, fui logo ver meu novo menino... E me encantei com... Seus olhos azuis ? Suas meias siamesas ? Sua vozinha tão típica dos herdeiros de Sião ? Nããããão... Fiquei deslumbrada com... A patinha pintada de branco, uma longa tira descolorida, que parece ter sido feita com água sanitária... Sim, no pequeno siamês gostei mais da parte viralatinha !!! Linda combinação... :o)))
Não foi complicado tirar o atestado de saúde, e muito menos tirar a GTA.Victor é lindo, é meigo, é todo dengoso e molinho. Veio em formato micróbio, mas está enorme... É um pentelhinho, o corredor compulsivo, o miador chorão.
Adotou Cacá como mãe e a segue o tempo todo. Depois de maiorzinho virou um paizão, adotando os bebês. É super rápido e um campeão nas artes da fuga !!!
Victor quer dizer "vencedor, vitorioso", e Valentim significa "valente". O nome casou como uma luva para ele, que foi o único sobrevivente da sua ninhada, depois de ter sido jogado no lixo recém nascido.
Nascido em: 09/10/01
Cor: Seal point ( mix )
Pêlo: Curto
Raça: Mestiço de siamês
Particularidades: Um príncipe felino, elegante e garboso. Adora correr e miar para as paredes. Apaixonado pela repórter do RJ TV. Meigo e cheio de charme, daqueles que te agarra quando passa por perto. Sua cor de café-com-leite me enlouquece. Tem uma mancha branca na testa, onde, segundo a tia Ana, a Deusa Gata tocou e disse: "você vai ser Gato Bom".
domingo, 22 de junho de 2008
Tudo começou com um gatinho preto e branco e muito agitado, rejeitado pelos manos mais velhos por ser um pentelho. Francisco precisava de um gato jovem, um gato que pudesse ser seu companheiro de brincadeiras.
Então comecei a procurar filhotes por todo canto, saí pela rua buscando, pedi a amigos, vasculhei sites de adoção... Nenhum anúncio naquela semana, nenhum filhote nas ruas, parecia estar havendo uma estiagem de gatos !
Fui levar os persas para tomar banho, e, mencionando meu desejo de ter mais um filhote, fiquei sabendo de uma pessoa que estava com três filhotes de siamês para doar. E me disseram o nome da pessoa.... E achei incrível, porque conhecia alguém com um nome parecido, a Luisa, uma amiga que fazia parte de uma das minhas listas de discussão, cuja gata tinha tido exatamente três filhotes... E que morava na mesma rua desta que estava doando.
Achei muita coincidência, e pedi o telefone, mas, como havia perdido o telefone dessa minha amiga, não pude comparar os dois. Deixei a cargo da pet shop ligar para a pessoa e ver se ainda haviam gatinhos para doar. Mas é claro que fiquei ansiosa pela resposta !
Alguns dias depois, recebi o telefonema tão esperado. E era mesmo a Luisa !
Liguei imediatamente e marcamos para eu ir ver os filhotes no dia seguinte.
Eram lindos, tão pequenos e arteiros... Ela só me pediu uma coisa, que eu levasse a gatinha no sábado seguinte, porque a veterinária viria ver os filhotes neste dia. E aí, mais uma surpresa... A veterinária era a Drª Neísa, a mesma que eu tinha convidado para dar uma entrevista ao site !
Fiquei ainda mais feliz. Além de ter conquistado uma nova filha, conheceria minha futura entrevistada e ainda poderia levar Francisco para uma consulta...
A propósito, a mãe de Ana Clara, a Teca, foi adotada pela Luisa. Quando ela foi resgatada de uma faculdade, e estava para adotar, eu fiz uma campanha aqui em casa porque eu a queria, mas como era adulta não tive sucesso. Agora tenho sua filha !
Ana Clara Esperança recebeu esse nome por causa de Santa Clara. Nada mais adequado para a irmã de Francisco... Já o nome Esperança veio de uma promessa que fiz pela Inês.
Cacá, como a chamamos, é uma gatinha muito meiga e companheira, amiga e falante. É muito esperta e bagunceira, e ciumenta como boa siamesa...
Adora o Chico, e ele tem por ela verdadeira paixão. Os dois formam uma dupla amorosa, e a cada dia me surpreendem com suas farras e me enternecem com seus carinhos.
A conjunção dos nomes significa "cheia de graça, luz e esperança". Na época minha querida amiga Inês já estava doente e esses eram meus desejos para ela... Adotei a gatinha dois dias antes do seu aniversário.
Nascida em: 12/07/01
Cor: Seal point
Pêlo: Curto
Raça: Siamesa
Particularidades: Gordinha safada, gulosa a ponto de comer até se entupir e por tudo para fora. Adora Chico, mãe adotiva extremosa do Victor. Mia fino e adora levar tapinhas. Anda rebolando, e tem a barriga mais gostosa do mundo. Ciumenta e passional, como toda siamesa. Minha princesa de olhos de ressaca.
sábado, 21 de junho de 2008
De todas, uma das histórias mais emocionantes... Francisco Manuel, o imperador, foi achado em um estacionamento, dentro do motor de um carro.
Tudo começou quando cheguei na escola, no dia 22 de março. Logo me interfonaram avisando que havia um gato preso dentro do carro de uma colega.
Ela inicialmente não queria descer ( queria deixar o gato "de castigo" ), mas com a minha insistência... Descemos ambas.
Da cozinha já se ouviam os miados, incrivelmente altos. Pensei que se tratava de um gato adulto.
Mas, depois de muito procurar pelo carro todo, inclusive no porta-malas, percebemos que o som vinha da parte traseira. Mas precisamente da roda. E, quando me abaixei, qual não foi minha surpresa ao ver uma coisinha minúscula preta e branca, miando sem parar...
Coisinha preta e branca estressada, diga-se de passagem. Fez muitos fuzzzzz e rosnados. E nada de querer descer.
Ficamos quase uma hora tentando pegá-lo. Uma cena histórica, a diretora da escola vestindo saias, de quatro num estacionamento virado pra uma das ruas mais movimentadas da cidade, falando com um carro...
Após muita espera, de repente o gatinho pulou para o chão.
Preocupada, por se tratar de uma rua com tráfego intenso, tentei pegá-lo, mas o danadinho pulou entre as rodas da frente e se enfiou dentro do motor...
Minha amiga garantiu que não daria mais para pegá-lo, pois o capô estava emperrado e não abria...
E ainda ligou o motor, sem saber que isso poderia matar o filhote.
Por causa disso, duas almofadinhas ficaram com bolhas de queimaduras.
O capô realmente parecia emperrado... Mas depois de algum tempo tentando (e umas cassetadas ), consegui... E lá estava ele... Pretinho, sujinho, todo empoeirado, em cima do motor... Imediatamente soube que ele seria meu. Soube desde a primeira vez em que o vi.
Mas eu já tinha os outros três, e minha mãe não queria nem ouvir falar em mais um... Mas mesmo assim resolvi arriscar. Jamais o deixaria ali.
Assim que o peguei no colo, Francisco Manuel revelou-se o mais meigo dos gatos... Ronronava feliz, dava cabeçadinhas no meu queixo... Ah, ele era o meu gato ! Aquele que sempre quis, que me tem adoração, enviado por Deus como um presente dos anjos !
Quando cheguei em casa, minha mãe ficou de nariz torcido, lógico.
Mas em dois dias já estava caída pelo novo neto...
Mordedor, atrevido, mas inteiramente meu. Meu bebê grandalhão que chupa meus cabelos molhados.
Somos muito felizes por tê-lo por aqui. Os irmão mais velhos, bem... Esses não gostaram muito da novidade...
O Chico é um belo gato, o líder absoluto e incontestável da tropa.
E agora tem muitos irmãozinhos menores que o seguem por toda parte e são muito amados !!!
Nascido em: 28/01/01
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Nascido em: 31/03/99
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Trinny, uma linda persinha vermelha, com muitas histórias e um difícil começo de vida...
Escolhida por minha irmã em uma petshop, em meio a vários filhotes, Trinny desde o início mostrou que nasceu para ser uma estrela. Não é à toa que tem esse nome.
Ao ser apresentada, com seus primos e irmãos, à minha mãe e a minha irmã, foi logo pulando no colo dessa última e esfregando a cabecinha na mão dela...
Claro que foi a eleita ! E olha que queríamos um filhote branco... Que não veio... Não naquele dia !!!
Tudo parecia muito bem com a bolinha de pelos faiscantes de sol, mas... Logo nos primeiros dias, notamos algo estranho. Quando evacuava, formava- se algo anormal. Era um prolapso.
Ah, que desespero marcou nossas vidas neste período ! Parte do intestino saiu, e ela teve que ser operada,para consertar o estrago.
Com os pontos e a dor, aquela pequena gatinha teve prisão de ventre. Tivemos que fazer lavagens, dar laxantes, comida líquida por vários dias...
Graças à Deus, ela se recuperou bem. Mas sempre teve a saúde mais frágil entre todos os outros, enquanto bebê.
Teve rinotraqueíte, infecção nos olhos, fungo, tênia, um dente rachado...Com apenas dois anos, teve que extrair tártaro e teve gengivite. Os olhos escorriam sem parar, e o narizinho vivia fungando.
É terrível para comer, embora ame snacks ( que ela vem correndo pedir ) e nos faz ter que estar sempre de olho em seu peso.Por causa disso, a chamamos de gata Top Model... E também por adorar usar lacinhos, coleiras e lacinhos em geral. :)
Mas apesar dos problemas que teve quando bebê, depois de adulta nunca mais ficou doente.
Nossa pequena ursinha tornou-se uma gata mais sapeca, danada, atrevida, mimosa e querida... Muito dada, aconchegante,espevitada... Um urso em forma de gato !
Ela mora com minha mãe, atual dona dela, mas está sempre presente no meu coração...
quarta-feira, 18 de junho de 2008
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Era o dia 2 de abril de 1998. Voltando para casa, após um lanche no Mac Donald's, ouvi um miado fino e desesperado logo atrás de mim.
Nem tive tempo de me virar. Fui agarrada. Senti uma criaturinha pequenina grudando no meu pé. Virei e olhei.
Era um gatinho feio, orelhudo, barrigudo, magro... Fedido, sujinho... Mas tão pequeno e sozinho que cortou meu coração. Estava frio, tinha chovido...
Me abaixei e peguei o bichinho. Imediatamente ele se agarrou na minha mão com as quatro patinhas. Cabia inteiro na palma.
Como havia uma casa que era sede de um sindicato perto, levei o gatinho pra lá. E vi que havia outro filhote dentro. Tentei colocá-lo pra dentro, mas o bebezinho sempre voltava e se agarrava na minha mão com as quatro patinhas.
Desesperada, tentei subir no muro, entrar na casa, pegar o outro bebê, que pareceu doentinho. Mal e mal se movia. Mas nada consegui. Apareceu um segurança querendo saber o que estava havendo. E disse que ali não morava gato nenhum. O que não foi uma grande surpresa... Mais um caso de abandono... Que ódio senti !
Sem saber o que fazer, e com aquele filhote minúsculo agarrado na mão, decidi enfrentar a situação de frente. Levei-o pra casa, mesmo sabendo que minha mãe não queria gatos, e que meu pai não era nem um pouco simpático a esses animaizinhos...
Claro que foi dificil ! Ninguém queria o gatinho... Por aquele dia...
No dia seguinte, para minha alegria, tudo estava mudado ! A pequena Mel (soubemos depois que era uma menina ) mudou cabeças e transformou toda a família em servos apaixonados...
E apenas alguns dias depois, iniciou-se para mim uma fase pessoal difícil, que só pude superar muito por causa dela... Da sua companhia, do seu apoio, do seu amor incondicional... Da necessidade de cuidá-la e amá-la.
A pequena gatinha orelhuda não sabia comer, não brincava muito... Demorou muito tempo pra aprender a pular. Tomou mamadeira por alguns dias, depois ração umedecida, os dentinhos nasceram todos, e virou uma tremenda comilona !!! Teve sarna e ficou feia, sem pelos... Mas manteve uma saúde de ferro até os seis anos e meio de idade, quando descobrimos que tem rins policísticos. Desde então, tem passado por altos e baixos, mas é uma guerreira !!!
Essa história aconteceu há mais de 10 anos. Devo minha vida à minha linda tigresa, listrada de marrom e preto, de peito branco e grandes orelhas, narizinho manchado de molho, dos olhos verdes profundos de uma inteligência sem par...
Por ela surgiu o Planeta Gato, meu antigo site sobre gatos, por ela entrei em uma lista de discussão que me mostrou a vida de ângulos diferentes e me tornou uma pessoa enriquecida, com muitos amigos humanos e felinos.
Mel Karamell significaria algo como "doçura caramelo". E realmente ela era um docinho quando bebê... Como a bala... Mas o nome foi por causa do Mel Gibson, pois achavamos que era um macho. Até ela completar seis meses e entrar no cio, rsssssssssss.
Nascida em: 04/02/98
Cor: Tigrada e branca
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: geniosa, mandona, mijona. Odeia gatos. Sofre de insuficiência renal crônica, controlada com medicação diária. Come ração renal e adora. Detesta ser contrariada. Ama brincar com canetas, lápis e bolinhas de papel amassado. Minha rainha do lar rabugenta e cheia de vontade própria.
domingo, 15 de junho de 2008
O PRIMEIRO GATINHO - OU COMO A FAMÍLIA PORTO RENDEU-SE AO CHARME FELINOFoi em outubro de 1997.
Ele se chamou Drummond, apelido Dudu, e por incrível que pareça, não fui eu quem trouxe. Verdade seja dita, eu não simpatizava com gatos nessa época. Achava lindos, fofos e tudo mais mas... Tinha medo !!! Isso mesmo, medo de suas unhinhas...
Fui criada com gatos desde pequena, na casa da minha avó. Ela sempre os teve. Eu agarrava, brincava, carregava pra lá e pra cá os filhotinhos que sempre nasciam das gatas ( que naquela época não eram, obviamente castradas - isso não se usava ).
Mas na idade adulta... Não sei, me tornei medrosa, detestava me machucar, e achava que gatos eram um perigo com aquelas garras enormes e afiadas.
E chegou Dudu, trazido por... Meu pai, uma criatura que definitivamente não apreciava gatos, que achava animais falsos e sem nenhum apego ao dono...
Dudu era todo branco, com rabo tigrado e mancha tigrada pequenina no alto da cabeça. Claro que minha mãe implicou, e disse que ele não ficaria de jeito nenhum. Bem, minha irmã namorava na época um rapaz cuja mãe gostava de gatos. Ficou acertado que o gato seria dele. Mas... A casa dele estava em obras, então o gato ficaria hospedado em nossa casa por três semanas.
Nessas três semanas, ele foi mimado, acariciado, carregado... Eu me aproximei, embora ainda com medo... E ficava encantada com o seu miadinho fino, e colocava a comidinha, e dava água, e trocava o jornal ( sim, nós não sabíamos que existia areia para gatos, muito menos que eles usavam areia ).
Exatas três semanas depois, o pequeno Dudu partiu... Embora não da maneira que esperávamos. Ele morreu subitamente, inexplicavelmente... Não tinha nada aparente. Estava esperto, bonito e perfeito. Mas se foi, no mesmo dia em que iria embora.
Não dava pra negar - ele tinha que ser nosso.
Todo mundo chorou naquela noite. Todos ficaram arrasados. Por muito tempo me perguntei o porque dele ter entrado em nossa vida, o porque de ter partido quando já amavamos gatos... Seis meses depois, descobri. Veio a pequena Mel, seguindo o caminho que Dudu abriu em nossos corações.
Foi feito também para que as pessoas que gostariam de dividir sua vida com um gato ( ou dois, ou três, ou mil ) saibam que além de maravilhosa, a vida com um gato pode ser recheada de aventura, fascínio, amor e uma amizade verdadeira.
Por fim, tenho o grande desejo de poder, com as histórias dos meus gatos e dos gatos da família, tornar mais fácil enxergar que vale à pena resgatar, tratar, cuidar e amar qualquer gato, mesmo que à primeira vista ele pareça mais uma ruína do que um gato.
Então, aqui estão as histórias da Tropa Felina, para seu deleite. :)
Em abril de 98, fui encontrada em uma noite chuvosa por uma coisinha tigrada miúda e maltratada, suja e orelhuda, com cerca de 45 dias, que chamei de Mel Karamell.
Ela foi a primeira filha, super mimada e adorada acima de todas as coisas ! Em pouco tempo se tornou uma gata enorme, gorda, voluntariosa, uma gata de atitude... Atitude puramente felina.
Mel abriu passagem para outros tantos gatos, outras tantas vidas que se tornaram uma parte fundamental da minha. Filha mais velha, hoje com dez anos, continua ocupando um lugar muito especial no meu coração.
Quando tinha seis meses, encontrei em frente de casa um pequenino petibanco, Frajola Berlioz. Mas ele estava doentinho e não viveu muito tempo... Partiu deixando muita saudade.
Desinformada que eu era, comprei um casal de persas para fazer companhia a Mel, Trinny de Wish Upon a Star e Aramis de Luminar. Ambos muito amados, Trinny, a amarelinha, hoje mora com minha mãe e Aramis, meu belo gato cor de prata, continua comigo.
Dois anos depois, estava no trabalho, quando vêm me falar que havia um gato dentro do motor de um carro no estacionamento... E lá veio, depois de mais de uma hora de sufoco, o pequenino Francisco Manuel, petibanco danado, hoje transformado no líder legítimo da tropa.
Chico crescia e mordia, e muito ! Falta de quem brincar... Então, da casa de uma amiga, veio Ana Clara Esperança, siamesinha, minha princesa dos olhos azuis.
Outra amiga precisando doar e... Lá veio o paulistinha Victor Valentim, sialata abandonado ao nascer que foi adotada por uma gata dela, único sobrevivente entre seus irmãos.
O ano já era 2002 e eu estava em vias de me mudar para minha própria casa. Uma conhecida tinha adotado um pretinho tirado do Campo de São Bento, mas ele detestava a boxer dela. Resultado... Mais um membro da tropa, o meigo Benjamim Blue.
Duas semanas depois, em pleno domingo de Páscoa, ouço miados em uma casa abandonada ao lado do meu prédio... Meu irmão, eu e minha mãe em polvorosa, descobrimos uma ninhada de cinco filhotes. Doei dois, e três ficaram comigo, o tigrado Lucca Gabriel, a tigrada e branca Aysha Bella e a branquinha com manchinhas tigradas Alyssa Bella.
Então já éramos nove, e mudei para a nova casa, que os gatos adoraram.
Comecinho de maio, o CCZ invade o Campo de São Bento. Fui lá protestar e encontrei uma bolinha peluda largada entre as barracas dos camelôs. No dia seguinte, uma amiga de Niterói a trouxe para mim. Mas não eram uma, eram duas !!! Minhas bebês repolhinhas, as peludas Paloma Picasso e Pandora Inês.
Resolvida a ter a escaminha que sempre quis, adoto Thalia Thirteen, que para minha tristeza partiu para o lado do Grande Gato apenas nove dias depois...
Desconsolada, ganho da amiga Ana o azul e levado Pablo Neruda, abandonado há poucos dias.
Felicidade... Em outubro chega Felicity Mayfar, petibanca encontrada em uma rua movimentada de Copacabana. Um irmãozinho tinha sido levado, outro morreu atropelado. Sobrou minha pequenina, que até tentei doar mas confesso que com pouquíssimo esforço... ;o)))
Um dia depois de decidir que ela ficava, adoto a tão sonhada tricolor, Margareth Mieux, mas era tão pequenina e tão boa, que não poderia mesmo pertencer a esse mundo...
Ela se foi como um anjo pequeno, e na tentativa de compensar sua perda, adotei seu irmãozinho, Pêssego Sweet, que tinha "sobrado" e a essas horas provavelmente estaria em um abrigo. Sortudo, ele é um dos gatos mais adorados pelos irmãos, muito carinhoso, um bonachão...
No Natal, a amiga Cecilia me presenteia com a belíssima Trica Lee, uma tricolor mestiça de persa que tinham abandonado com seis filhotes, maravilhosa, linda e doce.
Em janeiro de 2003, me encanto com o pequenino Giuseppe Garibaldi, um belo pretinho básico, e o adoto.
Dois dias depois, meu irmão em pânico encontra a estonteante Nikita Pikachu, uma tigrada prateada e branca, verdadeira schnauzer felina... :o)))
Família enooorme, mesmo assim meu coração balança com os encantos da super carinhosa Lauren Belatrix, que estava para adoção. Trago para casa, e ela é a melhor companheira, amorosa em todos os momentos...
Tudo estaria perfeito, mas... Minha irmã descobre uma gata grávida, e, ao tentarmos encontrá-la, descobrimos uma colônia de uns 10 gatos... Dias de tentativas e capturo Yan Julien, filhote tigrado de uns cinco meses, e sua mãe, Luciola Annya, que pensávamos estar grávida mas eram vermes mesmo.
Ufa, quanta gente !!! Não era pra entrar mais ninguém, mas...Vou pegar um filhote na casa de uma amiga para minha irmã adotar, e trago dois, hehehehe... O intelectual Pushkin para ela, e o branquíssimo Anakin Skywalker para mim... Meu gatoelho !!!
Pouco tempo depois... Bem em frente ao meu prédio, por volta das 4h da manhã, aparece uma criatura branca de pelo espetado, magro e feioso, parecendo um duende. Descemos eu e minha irmã, minha mãe e irmão vigiando da janela... E depois de muito custo capturamos o hoje lindo e gorducho Vladimir Maiakovski, que também ficou com minha irmã.
Não satisfeita, vou trabalhar em uma exposição de gatos com minha amiga Lucy e... O que encontro num stand de doação ? Uma escaminha diluída, com um dos olhinhos opacos, com uma lesão de córnea... Ah, o amor... Quando se instala, é fogo !!! E chega Yasmine Shadow... :o)))
Em maio, meu aniversário, ganho de presente as gêmeas persinhas Ômega Cat e Órion Galaxy, pretinhas fumaça que vi nascer.
Em agosto, trago para casa Charlotte Brevè, persa tricolor abandonada em petição de miséria, com o pelo encaroçado e machucados por baixo. Mas é linda e boa, e logo estava integrada...
Como a inveja mata, em duas piscadelas minha irmã encontra um bebezinho preto com a pontinha do rabo cortada, cheio de marcas de unhadas de gente. E eis que chega Othello, meu sobrinho !!!
Setembro chega, e com ele um amigo da minha irmã, que depois se tornaria seu noivo, o Flávio, decide adotar dois gatos. Trago para casa Babette Fanchon e Jean-Louis, que ficam comigo dois meses e... Acabam ficando. Ela, escama diluída como Yasmine, ele um belíssimo gato coral e branco.
Em outubro, infelizmente, minha amada amiga Inês parte para o lado de Deus, e resolvo adotar suas duas filhotas mais velhas: a balinesa Nikita Lila e a tricolor Debbie Lymme Simpson, então com 10 e 15 anos.
Não era para chegar mais gente, mas... Logo no segundo dia de dezembro, abandonam cinco bebezinhos de apenas 17 dias na quadra da escola, que criei e dos quais acabei ficando com dois, Oleg Fiodor, pretinho com lesão na córnea, e Ninochka Olenka, branca e preta linda, e minha irmã com mais três, o doce petibanco Noel, a exótica Mitôa, branca e preta com um olho verde e o outro azul, e a pequenina Bastet, pretinha rechonchuda e a quinta e menor da ninhada.
Em 2004, mais surpresas, e a família aumenta...
Logo no primeiro dia de fevereiro, graças à amiga Marcia, que me apresentou a Marta, uma doçura de pessoa do Gatil Mamabê, chega minha criança mais desejada, meu sonho dourado, que pensava jamais poder realizar, minha pantera - o bengal Kayin Abayomi.
Março se anuncia e, logo em seus primeiros dias, o Flávio resgata um gatinho tigrado que foi abandonado em uma caixa lacrada, atrás de um monte de entulhos, em local quase inalcançável - abandonado para morrer. Era o belíssimo Logan.
Dias depois, passando por um fotolog, vejo anunciada uma escaminha, e deixo ali o comentário de que um dia ainda teria uma, porque é uma coloração maravilhosa. No dia seguinte, vejo uma resposta, de um rapaz chamado Claudio, que dizia cuidar de alguns gatos e por coincidência, entre eles, havia uma bebê escama de tartaruga.
Bastante tentada, entro em contato com ele, e não resisto... A ninhada tinha cinco filhotes, e estavam em local de risco. Num impulso do qual jamais me arrependi, peço que traga todos para a minha casa. Meu plano era ficar com a escaminha e doar os demais, mas realmente não resisti, eram as coisas mais lindas que já vi na vida ! Ficaram Maarit Naarah, Lucy Marie, Anna Allegra, Monsieur Athos e Bastian Banshee. Gatos feitos na vida, amigos ficamos, e mantivemos contato.
Alguns dias depois, no comecinho de abril, véspera da Páscoa, um desalmado abandona na escola onde trabalho uma gata branca parindo... Encontro a gata, e depois de muito esforço, seus filhotes, que um funcionário tinha colocado em uma caixa no estacionamento. Quatro lindos filhotes recém nascidos, doces como a mãe. Como poderia deixá-los ali ? Sem saber bem o que fazer, levo a família resgatada para a casa de uma amiga, de onde trago todos um mês depois, doando dois bebês amarelos para a amiga Ana, outro branquinho para uma cliente da minha veterinária, e fico com a mãe, Blanche Dubois, e uma das filhinhas, Marie Louise Dubois.
E paramos por aí ? Bem deveríamos, mas... No dia 1º de junho, minha irmã vem me pedir ajuda para pegar um filhote que estava miando na rua ao lado. Me recuso terminantemente - gatos demais ! Mas, como quando Deus quer, nada é impossível... Os desígnios da Deusa Gata são ingovernáveis, e a essas alturas, minha irmã, já familiarizada com as artes dos resgatos, conseguiu com a ajuda do namorado capturar o assustadíssimo Manakel, pelo qual ficou imediatamente apaixonada. Eu teria escapado dessa, se ela não tivesse visto, ao se abaixar para pegar o filhote, uma coisinha mínima e peluda bem longe no fim da rua, debaixo de um carro. E eis que, desse duplo resgato, me sobra a pequena, ronronante e deliciosa Yves Dore.
Julho começa... Uma nova ninhada é abandonada na escola. Um dos filhotes consegue rapidamente um dono, mas restam dois encalhados. Parecia que nada mais aconteceria, quando recebo no trabalho um telefonema desesperado do Claudio. Estavam ameaçando matar os gatos que ele cuidava, e ele não sabia o que fazer... Transtornada, uma vez que a mãe e os irmãos dos meus filhotes ainda estavam por lá, a despeito de nossas tentativas de doá-los, mando um apelo urgente internet afora, e peço para que ele me traga dois gatos para abrigar, a mãe e o irmão dos meus pimpolhos. Minha intenção era realmente doá-los, e para isso os anunciei em vários sites e no meu próprio fotolog, mas eram adultos, e ninguém apareceu.
Nesse meio tempo, minha flor selvagem, Luciola, fica gravemente doente. Precisando de tempo para cuidá-la e de espaço para separá-la dos demais, e só tendo doado um dos bebês que encontrei, peço ajuda à amiga Catharina, que leva os dois restantes para a loja e consegue doá-los para pessoas de confiança. Entrentanto, um desses pequeninos, uma tricolorzinha como Lucy, jamais sairia da minha cabeça.
Dias depois, Luciola piora irremediavelmente e sou forçada a me deparar com uma decisão que jamais pensei em tomar - a eutanásia. Não aparecia dono algum para os dois amarelos do Claudio, e tomei então a decisão de ficar com eles, que passaram a se chamar Maath Maehva e Thoth Akhenaton.
Fim de festa, fim de jogo. Era o que eu pensava... Aliás o que eu sempre penso... Até minha irmã encontrar mais uma gata, em fins de outubro. Uma escama como Thalia, uma escama como Pixoxó... No embalo da minha recente empolgação com a saga de Tolkien, chamei-a Éowyn Of Rohan.
Começa o ano de 2005. Na segunda semana do ano, vou à sede da Prefeitura do Rio de Janeiro buscar ração renal com a amiga Glória. Me deparo com uma infinidade de filhotes abandonados, e não resisto - trago para casa Ellena Celebrindal, Nise e Renée Mieux. Infelizmente, das três, apenas Ellena sobreviveria, mas me restou a certeza de que, em sua curta vidinha, as outras duas foram muito amadas.
Duas semanas depois da morte da sua amada filhinha Nise, minha irmã adota o miúdo e carismático Toulouse Lautrec.
Eu havia ficado muito triste com a morte das duas pequeninas, e me dediquei ainda mais ao site que havia criado recentemente, o Gatos do Rio. Por causa dele, acabei indo fotografar os gatos do SOS Felinos, resgatados e cuidados pela Rosely. Lá, encontro uma escama peluda e lindíssima, que havia sido jogada em um valão com mais dois irmãozinhos. Paixão que bate na hora... Chega Marie Antoinette D'Anjou.
Pouco tempo depois, minha mãe, ao voltar para casa, se depara com uma criatura preta e branca bem na esquina. Seu primeiro resgatinho, seu primeiro salvamento. E assim, Yoshi Moyashi torna-se o mais novo membro da pequena tropa de sobrinhos.
E todos cresciam e se desenvolviam, e a vida seguia feliz. Mas novamente chega a Páscoa, e com ela, mais uma surpresa. No estacionamento da escola, me vejo frente a frente com um gato já crescido, mas respirando com dificuldade, de olho fechado e cheio de secreção. Um filhotão de uns seis meses de idade, preto e branco e peludo, extremamente meigo e confiante. E... Sir Gawaine Of Annya vem se juntar à tropa.
Poucos meses depois, minha irmã voltou a entrar em contato com a pessoa da qual tinha adotado Toulouse, e soube de um pequeno gatinho tigrado nascido sem um dos pezinhos. E assim, chegou Lasher, um bebê amoroso e cheio de vida.
Em junho de 2005, uma gata aparece abandonada na casa ao lado do prédio. Muitos truques, muita ração e muitos dias de tocaia... E finalmente é capturada Illyanna Hope.
Em setembro, nascem na casa de uma amiga uma ninhada indesejada de quatro filhotes. Trago para casa os recém nascidos e sua mamãe, Babi Bab Baboom. É a experiência mais emocionante que já havia vivido até então, ver crescer e descobrir o mundo quatro bebezinhos tão cheios de saúde e energia. Acabo ficando com a mamãe e duas de suas filhotas: Tonya Rogue e Lara Cecilia.
Em outubro, exatamente um mês após a chegada dos bebês, infelizmente minha amada Nikita parte, após vários tromboembolismos causados por uma cardiopatia. Sua ausência jamais vai ser preenchida.
Mas, como a vida segue, em dezembro mais duas preciosidades vêm parar em minhas mãos: Li Ming e Aiko Oyama, que haviam sido de Inês e estavam com uma outra pessoa, que não poderia mais ficar com elas.
Desponta 2006, e com ele a promessa renovada de não mais entrar ninguém. Mas... Em fevereiro de 2006, pouco antes do Carnaval, três gatinhas são largadas no mesmo valão de onde havia vindo Marie Antoinette. Ofereço-me para abrigá-las. Dôo uma, uma tricolor linda, e fico com as outras duas, doces escaminhas peludas, que chamo de Mystique Flower e Sweet Storm.
Ainda em fevereiro, minha irmã resgata dois gatinhos que estavam acuados e assustados no posto de gasolina da rua de trás. Doamos o belo machinho azul para aquela que viria a se tornar uma das minhas maiores amigas - Denise, e minha irmã fica com a menininha preta e branca e feral, a pequena Kadyia Of Ruwenda.
Em fins de março, é a vez de me despedir de Debbie, com imensa dor no coração. Aos dezoito anos, ela vai embora, vítima de falência renal, deixando um enorme vazio. Mas nem tudo é tristeza, e entra em nossas vidas uma bolinha de pêlos fofa e meiga, chamada Aléxia, a primeira gata do meu irmão.
Infelizmente no último dia de julho de 2006 o destino me prega uma peça, levando embora minha irmã, com apenas 28 anos de idade. Alguns de seus gatos ficam com seu noivo, Flávio: Pushkin e Noel. Toulouse vai morar com minha mãe, e Bastet com minha amiga Ana. Dois deles vão para o Texas, morar com a mãe do Flávio: Othello e Lasher. E seis ficam comigo, incorporados à Tropa Felina: Logan, Mitôa, Manakel, Yoshi, Vlad e Kadyia.
Alguns meses após a morte da minha irmã, recebo uma mensagem da amiga Cristina pedindo ajuda e lar temporário para uma gata com três filhotes, que havia perdido um outro, morto por um cachorro. Imediatamente respondo a ela, mas deleto a mensagem antes de escrever - gatos demais. No dia seguinte a notícia: a gata havia morrido durante a madrugada, morta pelo mesmo cão. Me vem uma angústia enorme, me sinto em dívida com ela. Me ofereço para criar os três bebezinhos órfãos, mesmo trabalhando o dia inteiro. Minha mãe me ajuda nas mamadeiras, e os três crescem lindos e fortes. Chamo-os Arthur Pendragon, Alice Lewis e Sofia Mia.
Os bebês estavam para doação. Em dezembro de 2006, com 45 dias, decido soltá-los pela casa. Estavam enormes e tinham se tornado verdadeiras pestinhas.
Menos de duas semanas depois, minha querida Tonya fica muito pálida e adoece subitamente. Levada ao vet, fico pasma com o resultado: FeLV. A doença mais aterrorizante com a qual temia topar... Ela estava com anemia arregenerativa, e foi questão de horas para chegar a um estado desesperador, em angústia respiratória. Sabendo que uma transfusão apenas adiaria sua morte por uns poucos dias, decido pela eutanásia, a decisão mais difícil de todas, pois era uma gatinha tão jovem, doce e cheia de vida...
Fico apavorada com a possibilidade de perder parte, ou todos os meus gatos. Decido não doar os bebês - como doá-los sem saber se estavam contaminados ? Como saber que quem adotaria daria o tratamento necessário ? Orientada por minha veterinária do coração, faço um tratamento preventivo em todos, com interferon, tentando barrar o vírus. Funciona, nenhum gato mais adoece.
Mas o tratamento adia as vacinas dos filhotes, que crescem, mais lindos a cada dia. Em abril de 2007, vou ajudar minha amiga Denise a resgatar uma gata que morava em frente a uma delegacia no Méier, e estava muito doente. Vou com a Cris, e, não encontrando vaga para estacionar, acabamos indo parar em frente ao corpo de bombeiros. De onde, mal saímos do carro, vem uma tricolor doce e ronronante... E grávida. Muito grávida !!! Morro de dó, não dá para deixá-la ali, tendo os filhotes na rua. E assim chega Denise Cristina, que no dia seguinte dá a luz a três gatinhas maravilhosas, que são doadas para adotantes vips.
No entanto, nem tudo é alegria, e, por conta da vacinação atrasada, Sofia pega panleucopenia, vinda de não se sabe onde. Fica gravemente doente, os leucócitos chegam a 400. Mas com cuidados intensivos e medicação ( nada menos que onze injeções por dia ), muito soro e alimentação forçada, acaba se salvando.
A vida segue tranqüila. Em outubro de 2007, minha querida amiga Denise descobre um abrigo, perto de uma favela, onde haviam duas ninhadas, de idades diferentes. Uma delas, a menorzinha, de três gatinhos esquálidos e mínimos, fica com ela. A outra, quatro formosuras peludas com cerca de quatro meses, vem para a minha casa. São filhotes deslumbrantes, e não tardo a doar três deles. Para a quarta, uma tigrada escama, não aparecem candidatos. Ok, fica, tudo bem... A chamo de Freya, Queen Of Valhala. Em breve a Deusa Gata mostraria o motivo dela ter ficado: é a gata mais apaixonada e dedicada a mim, apesar de ter chegado tanto tempo depois dos outros. Dorme abraçada comigo, como Nikita fazia, e é de um amor impressionante, de um carinho sem limites, de uma confiança tamanha, que não teme nada quando está no meu colo e impressiona quem vê.
Hora de fechar em definitivo o balanço. Mas, em dezembro de 2007, recolho dois gatinhos abandonados em um shopping da Barra, com a ajuda da amiga Andréa, que os havia encontrado. Anunciados, um deles, o siamesinho, atrai muitas pessoas, mas nenhuma que o merecesse e fosse tratar como se deve. Para o pretinho, nenhum candidato. Quase três meses depois, desisto - já estão integrados, felizes, correndo pela casa e mamando nas gatas mais velha. Dou-lhes o nome de Syan Niran e Othello, o Mouro de Veneza.
Mesmo freando meus instintos, em meados do ano seguinte, chega em minha casa o belo e tímido feral Anauel Damabiah. Veio para ficar alguns dias, enquanto minha amiga Cristina ia para uma nova casa, mas no dia seguinte a sua chegada, sou surpreendida com um ganho inesperado, que veio saldar uma dívida que já me desesperava... E prometo que ele não sairá mais daqui.
Cinco dias após a morte do Chico, aparecem na escola quatro filhotes de um mês de idade, completamente cobertos de molho de tomate. Recolho os quatro, dôo dois, ficam dois.
E desisto em definitivo de oferecer lar temporário, alojamento, casa de passagem, ou seja lá por qual nome se conheça o ato de abrigar um animal necessitado por um breve período de tempo. Não dá mais, capitulo. Não só pelo espaço e pelo dinheiro, mas fundamentalmente porque eu não quero mais doar gato algum na minha vida. Ajudar protetores, sim. Ajudar em rifas e divulgação, sim, Trazer para cá, nunca mais.
E assim, chegamos a uma família enorme, mas muito feliz, bagunceira mas muito amada, cheia de charme e de carinhos, de miados e de companheirismo.
Mantê-la não é obviamente uma tarefa fácil, mas quando se tem o amor que sinto por eles no coração, nenhum obstáculo é intransponível, e nenhum esforço é impossível. Daria tudo o que tenho por eles, e sei que fariam o mesmo por mim.
Meus bichos são o que tenho de mais precioso, e eu nada seria sem eles. Agradeço a Deus todos os dias por tê-los comigo.











