Foi feito também para que as pessoas que gostariam de dividir sua vida com um gato ( ou dois, ou três, ou mil ) saibam que além de maravilhosa, a vida com um gato pode ser recheada de aventura, fascínio, amor e uma amizade verdadeira.
Por fim, tenho o grande desejo de poder, com as histórias dos meus gatos e dos gatos da família, tornar mais fácil enxergar que vale à pena resgatar, tratar, cuidar e amar qualquer gato, mesmo que à primeira vista ele pareça mais uma ruína do que um gato.
Então, aqui estão as histórias da Tropa Felina, para seu deleite. :)
Em abril de 98, fui encontrada em uma noite chuvosa por uma coisinha tigrada miúda e maltratada, suja e orelhuda, com cerca de 45 dias, que chamei de Mel Karamell.
Ela foi a primeira filha, super mimada e adorada acima de todas as coisas ! Em pouco tempo se tornou uma gata enorme, gorda, voluntariosa, uma gata de atitude... Atitude puramente felina.
Mel abriu passagem para outros tantos gatos, outras tantas vidas que se tornaram uma parte fundamental da minha. Filha mais velha, hoje com dez anos, continua ocupando um lugar muito especial no meu coração.
Quando tinha seis meses, encontrei em frente de casa um pequenino petibanco, Frajola Berlioz. Mas ele estava doentinho e não viveu muito tempo... Partiu deixando muita saudade.
Desinformada que eu era, comprei um casal de persas para fazer companhia a Mel, Trinny de Wish Upon a Star e Aramis de Luminar. Ambos muito amados, Trinny, a amarelinha, hoje mora com minha mãe e Aramis, meu belo gato cor de prata, continua comigo.
Dois anos depois, estava no trabalho, quando vêm me falar que havia um gato dentro do motor de um carro no estacionamento... E lá veio, depois de mais de uma hora de sufoco, o pequenino Francisco Manuel, petibanco danado, hoje transformado no líder legítimo da tropa.
Chico crescia e mordia, e muito ! Falta de quem brincar... Então, da casa de uma amiga, veio Ana Clara Esperança, siamesinha, minha princesa dos olhos azuis.
Outra amiga precisando doar e... Lá veio o paulistinha Victor Valentim, sialata abandonado ao nascer que foi adotada por uma gata dela, único sobrevivente entre seus irmãos.
O ano já era 2002 e eu estava em vias de me mudar para minha própria casa. Uma conhecida tinha adotado um pretinho tirado do Campo de São Bento, mas ele detestava a boxer dela. Resultado... Mais um membro da tropa, o meigo Benjamim Blue.
Duas semanas depois, em pleno domingo de Páscoa, ouço miados em uma casa abandonada ao lado do meu prédio... Meu irmão, eu e minha mãe em polvorosa, descobrimos uma ninhada de cinco filhotes. Doei dois, e três ficaram comigo, o tigrado Lucca Gabriel, a tigrada e branca Aysha Bella e a branquinha com manchinhas tigradas Alyssa Bella.
Então já éramos nove, e mudei para a nova casa, que os gatos adoraram.
Comecinho de maio, o CCZ invade o Campo de São Bento. Fui lá protestar e encontrei uma bolinha peluda largada entre as barracas dos camelôs. No dia seguinte, uma amiga de Niterói a trouxe para mim. Mas não eram uma, eram duas !!! Minhas bebês repolhinhas, as peludas Paloma Picasso e Pandora Inês.
Resolvida a ter a escaminha que sempre quis, adoto Thalia Thirteen, que para minha tristeza partiu para o lado do Grande Gato apenas nove dias depois...
Desconsolada, ganho da amiga Ana o azul e levado Pablo Neruda, abandonado há poucos dias.
Felicidade... Em outubro chega Felicity Mayfar, petibanca encontrada em uma rua movimentada de Copacabana. Um irmãozinho tinha sido levado, outro morreu atropelado. Sobrou minha pequenina, que até tentei doar mas confesso que com pouquíssimo esforço... ;o)))
Um dia depois de decidir que ela ficava, adoto a tão sonhada tricolor, Margareth Mieux, mas era tão pequenina e tão boa, que não poderia mesmo pertencer a esse mundo...
Ela se foi como um anjo pequeno, e na tentativa de compensar sua perda, adotei seu irmãozinho, Pêssego Sweet, que tinha "sobrado" e a essas horas provavelmente estaria em um abrigo. Sortudo, ele é um dos gatos mais adorados pelos irmãos, muito carinhoso, um bonachão...
No Natal, a amiga Cecilia me presenteia com a belíssima Trica Lee, uma tricolor mestiça de persa que tinham abandonado com seis filhotes, maravilhosa, linda e doce.
Em janeiro de 2003, me encanto com o pequenino Giuseppe Garibaldi, um belo pretinho básico, e o adoto.
Dois dias depois, meu irmão em pânico encontra a estonteante Nikita Pikachu, uma tigrada prateada e branca, verdadeira schnauzer felina... :o)))
Família enooorme, mesmo assim meu coração balança com os encantos da super carinhosa Lauren Belatrix, que estava para adoção. Trago para casa, e ela é a melhor companheira, amorosa em todos os momentos...
Tudo estaria perfeito, mas... Minha irmã descobre uma gata grávida, e, ao tentarmos encontrá-la, descobrimos uma colônia de uns 10 gatos... Dias de tentativas e capturo Yan Julien, filhote tigrado de uns cinco meses, e sua mãe, Luciola Annya, que pensávamos estar grávida mas eram vermes mesmo.
Ufa, quanta gente !!! Não era pra entrar mais ninguém, mas...Vou pegar um filhote na casa de uma amiga para minha irmã adotar, e trago dois, hehehehe... O intelectual Pushkin para ela, e o branquíssimo Anakin Skywalker para mim... Meu gatoelho !!!
Pouco tempo depois... Bem em frente ao meu prédio, por volta das 4h da manhã, aparece uma criatura branca de pelo espetado, magro e feioso, parecendo um duende. Descemos eu e minha irmã, minha mãe e irmão vigiando da janela... E depois de muito custo capturamos o hoje lindo e gorducho Vladimir Maiakovski, que também ficou com minha irmã.
Não satisfeita, vou trabalhar em uma exposição de gatos com minha amiga Lucy e... O que encontro num stand de doação ? Uma escaminha diluída, com um dos olhinhos opacos, com uma lesão de córnea... Ah, o amor... Quando se instala, é fogo !!! E chega Yasmine Shadow... :o)))
Em maio, meu aniversário, ganho de presente as gêmeas persinhas Ômega Cat e Órion Galaxy, pretinhas fumaça que vi nascer.
Em agosto, trago para casa Charlotte Brevè, persa tricolor abandonada em petição de miséria, com o pelo encaroçado e machucados por baixo. Mas é linda e boa, e logo estava integrada...
Como a inveja mata, em duas piscadelas minha irmã encontra um bebezinho preto com a pontinha do rabo cortada, cheio de marcas de unhadas de gente. E eis que chega Othello, meu sobrinho !!!
Setembro chega, e com ele um amigo da minha irmã, que depois se tornaria seu noivo, o Flávio, decide adotar dois gatos. Trago para casa Babette Fanchon e Jean-Louis, que ficam comigo dois meses e... Acabam ficando. Ela, escama diluída como Yasmine, ele um belíssimo gato coral e branco.
Em outubro, infelizmente, minha amada amiga Inês parte para o lado de Deus, e resolvo adotar suas duas filhotas mais velhas: a balinesa Nikita Lila e a tricolor Debbie Lymme Simpson, então com 10 e 15 anos.
Não era para chegar mais gente, mas... Logo no segundo dia de dezembro, abandonam cinco bebezinhos de apenas 17 dias na quadra da escola, que criei e dos quais acabei ficando com dois, Oleg Fiodor, pretinho com lesão na córnea, e Ninochka Olenka, branca e preta linda, e minha irmã com mais três, o doce petibanco Noel, a exótica Mitôa, branca e preta com um olho verde e o outro azul, e a pequenina Bastet, pretinha rechonchuda e a quinta e menor da ninhada.
Em 2004, mais surpresas, e a família aumenta...
Logo no primeiro dia de fevereiro, graças à amiga Marcia, que me apresentou a Marta, uma doçura de pessoa do Gatil Mamabê, chega minha criança mais desejada, meu sonho dourado, que pensava jamais poder realizar, minha pantera - o bengal Kayin Abayomi.
Março se anuncia e, logo em seus primeiros dias, o Flávio resgata um gatinho tigrado que foi abandonado em uma caixa lacrada, atrás de um monte de entulhos, em local quase inalcançável - abandonado para morrer. Era o belíssimo Logan.
Dias depois, passando por um fotolog, vejo anunciada uma escaminha, e deixo ali o comentário de que um dia ainda teria uma, porque é uma coloração maravilhosa. No dia seguinte, vejo uma resposta, de um rapaz chamado Claudio, que dizia cuidar de alguns gatos e por coincidência, entre eles, havia uma bebê escama de tartaruga.
Bastante tentada, entro em contato com ele, e não resisto... A ninhada tinha cinco filhotes, e estavam em local de risco. Num impulso do qual jamais me arrependi, peço que traga todos para a minha casa. Meu plano era ficar com a escaminha e doar os demais, mas realmente não resisti, eram as coisas mais lindas que já vi na vida ! Ficaram Maarit Naarah, Lucy Marie, Anna Allegra, Monsieur Athos e Bastian Banshee. Gatos feitos na vida, amigos ficamos, e mantivemos contato.
Alguns dias depois, no comecinho de abril, véspera da Páscoa, um desalmado abandona na escola onde trabalho uma gata branca parindo... Encontro a gata, e depois de muito esforço, seus filhotes, que um funcionário tinha colocado em uma caixa no estacionamento. Quatro lindos filhotes recém nascidos, doces como a mãe. Como poderia deixá-los ali ? Sem saber bem o que fazer, levo a família resgatada para a casa de uma amiga, de onde trago todos um mês depois, doando dois bebês amarelos para a amiga Ana, outro branquinho para uma cliente da minha veterinária, e fico com a mãe, Blanche Dubois, e uma das filhinhas, Marie Louise Dubois.
E paramos por aí ? Bem deveríamos, mas... No dia 1º de junho, minha irmã vem me pedir ajuda para pegar um filhote que estava miando na rua ao lado. Me recuso terminantemente - gatos demais ! Mas, como quando Deus quer, nada é impossível... Os desígnios da Deusa Gata são ingovernáveis, e a essas alturas, minha irmã, já familiarizada com as artes dos resgatos, conseguiu com a ajuda do namorado capturar o assustadíssimo Manakel, pelo qual ficou imediatamente apaixonada. Eu teria escapado dessa, se ela não tivesse visto, ao se abaixar para pegar o filhote, uma coisinha mínima e peluda bem longe no fim da rua, debaixo de um carro. E eis que, desse duplo resgato, me sobra a pequena, ronronante e deliciosa Yves Dore.
Julho começa... Uma nova ninhada é abandonada na escola. Um dos filhotes consegue rapidamente um dono, mas restam dois encalhados. Parecia que nada mais aconteceria, quando recebo no trabalho um telefonema desesperado do Claudio. Estavam ameaçando matar os gatos que ele cuidava, e ele não sabia o que fazer... Transtornada, uma vez que a mãe e os irmãos dos meus filhotes ainda estavam por lá, a despeito de nossas tentativas de doá-los, mando um apelo urgente internet afora, e peço para que ele me traga dois gatos para abrigar, a mãe e o irmão dos meus pimpolhos. Minha intenção era realmente doá-los, e para isso os anunciei em vários sites e no meu próprio fotolog, mas eram adultos, e ninguém apareceu.
Nesse meio tempo, minha flor selvagem, Luciola, fica gravemente doente. Precisando de tempo para cuidá-la e de espaço para separá-la dos demais, e só tendo doado um dos bebês que encontrei, peço ajuda à amiga Catharina, que leva os dois restantes para a loja e consegue doá-los para pessoas de confiança. Entrentanto, um desses pequeninos, uma tricolorzinha como Lucy, jamais sairia da minha cabeça.
Dias depois, Luciola piora irremediavelmente e sou forçada a me deparar com uma decisão que jamais pensei em tomar - a eutanásia. Não aparecia dono algum para os dois amarelos do Claudio, e tomei então a decisão de ficar com eles, que passaram a se chamar Maath Maehva e Thoth Akhenaton.
Fim de festa, fim de jogo. Era o que eu pensava... Aliás o que eu sempre penso... Até minha irmã encontrar mais uma gata, em fins de outubro. Uma escama como Thalia, uma escama como Pixoxó... No embalo da minha recente empolgação com a saga de Tolkien, chamei-a Éowyn Of Rohan.
Começa o ano de 2005. Na segunda semana do ano, vou à sede da Prefeitura do Rio de Janeiro buscar ração renal com a amiga Glória. Me deparo com uma infinidade de filhotes abandonados, e não resisto - trago para casa Ellena Celebrindal, Nise e Renée Mieux. Infelizmente, das três, apenas Ellena sobreviveria, mas me restou a certeza de que, em sua curta vidinha, as outras duas foram muito amadas.
Duas semanas depois da morte da sua amada filhinha Nise, minha irmã adota o miúdo e carismático Toulouse Lautrec.
Eu havia ficado muito triste com a morte das duas pequeninas, e me dediquei ainda mais ao site que havia criado recentemente, o Gatos do Rio. Por causa dele, acabei indo fotografar os gatos do SOS Felinos, resgatados e cuidados pela Rosely. Lá, encontro uma escama peluda e lindíssima, que havia sido jogada em um valão com mais dois irmãozinhos. Paixão que bate na hora... Chega Marie Antoinette D'Anjou.
Pouco tempo depois, minha mãe, ao voltar para casa, se depara com uma criatura preta e branca bem na esquina. Seu primeiro resgatinho, seu primeiro salvamento. E assim, Yoshi Moyashi torna-se o mais novo membro da pequena tropa de sobrinhos.
E todos cresciam e se desenvolviam, e a vida seguia feliz. Mas novamente chega a Páscoa, e com ela, mais uma surpresa. No estacionamento da escola, me vejo frente a frente com um gato já crescido, mas respirando com dificuldade, de olho fechado e cheio de secreção. Um filhotão de uns seis meses de idade, preto e branco e peludo, extremamente meigo e confiante. E... Sir Gawaine Of Annya vem se juntar à tropa.
Poucos meses depois, minha irmã voltou a entrar em contato com a pessoa da qual tinha adotado Toulouse, e soube de um pequeno gatinho tigrado nascido sem um dos pezinhos. E assim, chegou Lasher, um bebê amoroso e cheio de vida.
Em junho de 2005, uma gata aparece abandonada na casa ao lado do prédio. Muitos truques, muita ração e muitos dias de tocaia... E finalmente é capturada Illyanna Hope.
Em setembro, nascem na casa de uma amiga uma ninhada indesejada de quatro filhotes. Trago para casa os recém nascidos e sua mamãe, Babi Bab Baboom. É a experiência mais emocionante que já havia vivido até então, ver crescer e descobrir o mundo quatro bebezinhos tão cheios de saúde e energia. Acabo ficando com a mamãe e duas de suas filhotas: Tonya Rogue e Lara Cecilia.
Em outubro, exatamente um mês após a chegada dos bebês, infelizmente minha amada Nikita parte, após vários tromboembolismos causados por uma cardiopatia. Sua ausência jamais vai ser preenchida.
Mas, como a vida segue, em dezembro mais duas preciosidades vêm parar em minhas mãos: Li Ming e Aiko Oyama, que haviam sido de Inês e estavam com uma outra pessoa, que não poderia mais ficar com elas.
Desponta 2006, e com ele a promessa renovada de não mais entrar ninguém. Mas... Em fevereiro de 2006, pouco antes do Carnaval, três gatinhas são largadas no mesmo valão de onde havia vindo Marie Antoinette. Ofereço-me para abrigá-las. Dôo uma, uma tricolor linda, e fico com as outras duas, doces escaminhas peludas, que chamo de Mystique Flower e Sweet Storm.
Ainda em fevereiro, minha irmã resgata dois gatinhos que estavam acuados e assustados no posto de gasolina da rua de trás. Doamos o belo machinho azul para aquela que viria a se tornar uma das minhas maiores amigas - Denise, e minha irmã fica com a menininha preta e branca e feral, a pequena Kadyia Of Ruwenda.
Em fins de março, é a vez de me despedir de Debbie, com imensa dor no coração. Aos dezoito anos, ela vai embora, vítima de falência renal, deixando um enorme vazio. Mas nem tudo é tristeza, e entra em nossas vidas uma bolinha de pêlos fofa e meiga, chamada Aléxia, a primeira gata do meu irmão.
Infelizmente no último dia de julho de 2006 o destino me prega uma peça, levando embora minha irmã, com apenas 28 anos de idade. Alguns de seus gatos ficam com seu noivo, Flávio: Pushkin e Noel. Toulouse vai morar com minha mãe, e Bastet com minha amiga Ana. Dois deles vão para o Texas, morar com a mãe do Flávio: Othello e Lasher. E seis ficam comigo, incorporados à Tropa Felina: Logan, Mitôa, Manakel, Yoshi, Vlad e Kadyia.
Alguns meses após a morte da minha irmã, recebo uma mensagem da amiga Cristina pedindo ajuda e lar temporário para uma gata com três filhotes, que havia perdido um outro, morto por um cachorro. Imediatamente respondo a ela, mas deleto a mensagem antes de escrever - gatos demais. No dia seguinte a notícia: a gata havia morrido durante a madrugada, morta pelo mesmo cão. Me vem uma angústia enorme, me sinto em dívida com ela. Me ofereço para criar os três bebezinhos órfãos, mesmo trabalhando o dia inteiro. Minha mãe me ajuda nas mamadeiras, e os três crescem lindos e fortes. Chamo-os Arthur Pendragon, Alice Lewis e Sofia Mia.
Os bebês estavam para doação. Em dezembro de 2006, com 45 dias, decido soltá-los pela casa. Estavam enormes e tinham se tornado verdadeiras pestinhas.
Menos de duas semanas depois, minha querida Tonya fica muito pálida e adoece subitamente. Levada ao vet, fico pasma com o resultado: FeLV. A doença mais aterrorizante com a qual temia topar... Ela estava com anemia arregenerativa, e foi questão de horas para chegar a um estado desesperador, em angústia respiratória. Sabendo que uma transfusão apenas adiaria sua morte por uns poucos dias, decido pela eutanásia, a decisão mais difícil de todas, pois era uma gatinha tão jovem, doce e cheia de vida...
Fico apavorada com a possibilidade de perder parte, ou todos os meus gatos. Decido não doar os bebês - como doá-los sem saber se estavam contaminados ? Como saber que quem adotaria daria o tratamento necessário ? Orientada por minha veterinária do coração, faço um tratamento preventivo em todos, com interferon, tentando barrar o vírus. Funciona, nenhum gato mais adoece.
Mas o tratamento adia as vacinas dos filhotes, que crescem, mais lindos a cada dia. Em abril de 2007, vou ajudar minha amiga Denise a resgatar uma gata que morava em frente a uma delegacia no Méier, e estava muito doente. Vou com a Cris, e, não encontrando vaga para estacionar, acabamos indo parar em frente ao corpo de bombeiros. De onde, mal saímos do carro, vem uma tricolor doce e ronronante... E grávida. Muito grávida !!! Morro de dó, não dá para deixá-la ali, tendo os filhotes na rua. E assim chega Denise Cristina, que no dia seguinte dá a luz a três gatinhas maravilhosas, que são doadas para adotantes vips.
No entanto, nem tudo é alegria, e, por conta da vacinação atrasada, Sofia pega panleucopenia, vinda de não se sabe onde. Fica gravemente doente, os leucócitos chegam a 400. Mas com cuidados intensivos e medicação ( nada menos que onze injeções por dia ), muito soro e alimentação forçada, acaba se salvando.
A vida segue tranqüila. Em outubro de 2007, minha querida amiga Denise descobre um abrigo, perto de uma favela, onde haviam duas ninhadas, de idades diferentes. Uma delas, a menorzinha, de três gatinhos esquálidos e mínimos, fica com ela. A outra, quatro formosuras peludas com cerca de quatro meses, vem para a minha casa. São filhotes deslumbrantes, e não tardo a doar três deles. Para a quarta, uma tigrada escama, não aparecem candidatos. Ok, fica, tudo bem... A chamo de Freya, Queen Of Valhala. Em breve a Deusa Gata mostraria o motivo dela ter ficado: é a gata mais apaixonada e dedicada a mim, apesar de ter chegado tanto tempo depois dos outros. Dorme abraçada comigo, como Nikita fazia, e é de um amor impressionante, de um carinho sem limites, de uma confiança tamanha, que não teme nada quando está no meu colo e impressiona quem vê.
Hora de fechar em definitivo o balanço. Mas, em dezembro de 2007, recolho dois gatinhos abandonados em um shopping da Barra, com a ajuda da amiga Andréa, que os havia encontrado. Anunciados, um deles, o siamesinho, atrai muitas pessoas, mas nenhuma que o merecesse e fosse tratar como se deve. Para o pretinho, nenhum candidato. Quase três meses depois, desisto - já estão integrados, felizes, correndo pela casa e mamando nas gatas mais velha. Dou-lhes o nome de Syan Niran e Othello, o Mouro de Veneza.
Mesmo freando meus instintos, em meados do ano seguinte, chega em minha casa o belo e tímido feral Anauel Damabiah. Veio para ficar alguns dias, enquanto minha amiga Cristina ia para uma nova casa, mas no dia seguinte a sua chegada, sou surpreendida com um ganho inesperado, que veio saldar uma dívida que já me desesperava... E prometo que ele não sairá mais daqui.
Um período de calmaria... E começa uma longa temporada de perdas.
Em março de 2009, minha madrinha morre inesperadamente, e herdo o feral vovozinho Yuri Svezda, de 13 anos de idade. Em abril, perco minha querida primogênita Mel, de insuficiência renal, contra a qual ela lutava há cinco anos. Em julho, recebo uma péssima notícia: Giuseppe estava com um linfoma no mediastino, e começa um longo tratamento. Ainda em julho, morre o Flávio, noivo da minha irmã, e retornam ao lar Pushkin e Noel. Em dezembro, Syan, meu caçula tão lindo, morre de complicações decorrentes de FeLV, trazendo de volta o fantasma da doença para minha casa.
Entra o ano de 2010, e com ele, mais perdas dolorosas. Em abril, perco Pêssego de tumores causados pela FIV, com a qual ele nasceu. Em junho, morre tragicamente meu Yan, meu gato bom, de um rompimento de traquéia inexplicável - moro em apartamento telado e meus gatos não têm acesso à rua. No final de setembro, perco Giuseppe, que se curou totalmente do linfoma, mas teve insuficiência renal aguda. Quinze dias depois, morre Felicity, de causa desconhecida - provavelmente PIF. Outros quinze dias, e perco Francisco Manuel, meu Imperador, meu grande amor, em decorrência de um linfoma nasal, com possível metástase.
Cinco dias após a morte do Chico, aparecem na escola quatro filhotes de um mês de idade, completamente cobertos de molho de tomate. Recolho os quatro, dôo dois, ficam dois.
E desisto em definitivo de oferecer lar temporário, alojamento, casa de passagem, ou seja lá por qual nome se conheça o ato de abrigar um animal necessitado por um breve período de tempo. Não dá mais, capitulo. Não só pelo espaço e pelo dinheiro, mas fundamentalmente porque eu não quero mais doar gato algum na minha vida. Ajudar protetores, sim. Ajudar em rifas e divulgação, sim, Trazer para cá, nunca mais.
Cinco dias após a morte do Chico, aparecem na escola quatro filhotes de um mês de idade, completamente cobertos de molho de tomate. Recolho os quatro, dôo dois, ficam dois.
E desisto em definitivo de oferecer lar temporário, alojamento, casa de passagem, ou seja lá por qual nome se conheça o ato de abrigar um animal necessitado por um breve período de tempo. Não dá mais, capitulo. Não só pelo espaço e pelo dinheiro, mas fundamentalmente porque eu não quero mais doar gato algum na minha vida. Ajudar protetores, sim. Ajudar em rifas e divulgação, sim, Trazer para cá, nunca mais.
Penso que está para chegar um período mais tranquilo, mas na antevéspera do Natal perco meu velhinho Yuri, por causa de um tumor na boca que rapidamente se espalhou. Eu não quis operá-lo por estar cheio de problemas de saúde, e já idoso. Não me arrependo, viveu feliz até o fim, na casa que aprendeu a amar.
Chega 2011... E com ele, mais três perdas muito sofridas. Em março, Docinho aparece com um tumor no fígado, e outro no mediastino. A doença está disseminada, e escolho deixá-la em paz. Parte quinze dias depois. Ao mesmo tempo, Othello aparece anêmico - e retorna o fantasma da FeLV. Ainda em março, Kayin adoece, e o diagnóstico é o pior possível - câncer no fígado, metástase de um raríssimo tumor de células do tecido espermático. Apesar da quimioterapia, ele morre em pouco tempo, no dia 11 de abril. Othello o segue no dia seguinte.
E a vida segue, apesar de tudo... Apesar da dor, apesar das partidas, apesar das lágrimas.
E assim, chegamos a uma família enorme, mas muito feliz, bagunceira mas muito amada, cheia de charme e de carinhos, de miados e de companheirismo.
Mantê-la não é obviamente uma tarefa fácil, mas quando se tem o amor que sinto por eles no coração, nenhum obstáculo é intransponível, e nenhum esforço é impossível. Daria tudo o que tenho por eles, e sei que fariam o mesmo por mim.
Meus bichos são o que tenho de mais precioso, e eu nada seria sem eles. Agradeço a Deus todos os dias por tê-los comigo.
E assim, chegamos a uma família enorme, mas muito feliz, bagunceira mas muito amada, cheia de charme e de carinhos, de miados e de companheirismo.
Mantê-la não é obviamente uma tarefa fácil, mas quando se tem o amor que sinto por eles no coração, nenhum obstáculo é intransponível, e nenhum esforço é impossível. Daria tudo o que tenho por eles, e sei que fariam o mesmo por mim.
Meus bichos são o que tenho de mais precioso, e eu nada seria sem eles. Agradeço a Deus todos os dias por tê-los comigo.
6 comentários:
Clau
Como já te disse, está lindo!! E emocionante mesmo!! Sua vida com seus gatos é um exemplo de luta e de amor.
Bjs da amiga,
Cristina
Clau, a gente perde a conta dos gatos lendo o texto mas isso é o que menos importa. O que realmente importa é o amor que envolve cada palavra, cada cena descrita.
Um grande beijo
Cris Rebouças
Parabéns, Clau!
Está lindo demais, eu amei!
Vc escreve como ninguém e seu amor, sua luta pelos bichanos é um exemplo a ser seguido!
Um dia ainda irei te conhecer pessoalmente!!!
Bjs
Ellen
Clau:
Nem todo mundo consegue como vc mostrar o quanto se importa.Outros ainda nem mesmo se importam.Vc com certeza faz a diferenca.Gracas a Deus vc existe!
Vc escreve muito bem. Creio que o amor é sua caneta.
Beijos no coracao.
Marcia e Petunia
Clau,
em cada estória, muito amor.
um coração imenso para amar tanto!
parabéns pela família maravilhosa!
avassaladora!
beijos
bibi
Uau!
Adorei seus relatos, você escreve divinamente, sabe como poucos colocar o amor pelos animais sem parecer piegas.
Fiquei morrendo de vontade de ir te fazer uma visita e conhcer a tropa toda! huahua
Perdi a conta no meio dos textos, quantos são?
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