terça-feira, 22 de julho de 2008

WOLVERINE THUNDERCAT LOGAN

Dia 2 de março de 2004. Início de tarde, estou em casa trabalhando no site da Tropa.Meu pai me interfona; antes que fale, já sei. Só pode ser gato.
E era... Ele ouviu miados de filhote vindo da casa em ruínas aqui ao lado, de onde vieram meus pimpolhos Lucca, Aysha, Alyssa e o Ivan da Fabiana.
E estava me chamando para... ora... adivinhem... resgatar o dito cujo.
Desci, mas a porcaria da casa é mato até a alma, entulho pra todo lado, ferro-velho, madeiras podres, enfim, um caos, ninguém consegue entrar.
Deixei minha caixa de transporte mais uns petiscos lá, com o homem que toma conta da casa, e que me ajudou a pegar os outros gatinhos acima na Páscoa de 2002.
Entrar na casa não dava, e lugar pro bichinho se esconder tem de sobra !!!
Bom... O dia passou sem novidade alguma. Fiquei chateada, tinha pedido pra São Francisco mandar o bichinho pra mim, mas pelo visto ele não tinha escutado...
Subi para o apartamento da minha mãe para lanchar e meu pai me pediu para não contar nada à minha irmã.
Mas depois de uns minutos ele foi na varanda e disse " tarde demais..." Ora, ora se ela não tinha acabado de chegar !!! E claro... Viu logo minha caixa de transporte, hehehehe... Sei que corri pra varanda pra ver ela falando com o homem, e depois sumiu.
Ouço um berro de "eu já pegueeeeei !!!"E lá vem a criatura com o gato na mão, toda feliz da vida... Foi o seguinte.
Ela estava voltando da casa do Flávio, seu namorado, com o próprio. E eles ouviram os miados e pararam para ver o que era, e então viram minha caixa, e foram perguntar ao homem, que disse "sua irmã já veio aqui também".
Eles ficaram cercando a casa toda até que o Flávio resolveu pular o muro que dá para o meu prédio... E encontrou, atrás de umas madeiras, uma caixa de tênis Nike, sem furo algum, completamente lacrada com fita adesiva... E dentro, a pobre criaturinha miante e grudenta, enfiada no meio de um monte de cocô e xixi.
Meu irmão disse que ouviu miados durante a madrugada, então provavelmente o infeliz que fez isso largou ele lá por essas horas... Não sem antes cortar os bigodes também, e ainda me dei por feliz de ter sido só isso. Até pensei que os bigodes tivessem sido roídos pela mãe, porque sei que fazem isso, mas estavam muito aparadinhos demais, foi tesoura mesmo.
Agora vejam, o pequeno ficou lá desde o dia anterior de madrugada, numa caixa completamente lacrada, no meio da sujeira, com fome e sede, no calor que fazia...
Mal subiu, dei banho, mas estava com um cheiro tão forte que depois de três deles ainda estava fedendo. Não era só cocô e xixi, era alguma outra coisa, um cheiro estranho. Talvez graxa, ou algum óleo parecido.
Mas estava bem, e foi imediatamente vermifugado... Comeu caramba e já foi se divertir na caixinha de areia. :o)))
Um tigre lindo de barriga de bolinha, que meses depois veio se juntar, com o Flávio, aos gatos da minha irmã, e que, depois da morte dela, veio para a minha casa.

Wolverine Thundercat Logan recebeu seu nome por conta do desenho animado sobre o grupo de felinos humanóides, e claro, do famoso personagem dos X-Men.

Nascido em: 02/01/2004
Cor: Tigrado
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Um grande companheiro, presente em todos os momentos. Adora estar ao meu lado sempre, seja ao computador, seja vendo TV. Tem adoração por sapatos, perturba as visitas até que tirem os seus e o deixem brincar com eles. Grande mordedor, odeia ser contrariado. Fica furioso quando é repreendido, mas fora isso, é um gatão extremamente amoroso.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

MAMABÊ KAYIN ABAYOMI OF ANNYA

Kayin, oncinha linda, veio para abrilhantar com seu pelo coberto de ouro a saga da enorme Tropa Felina.
Sempre admirei profundamente os felinos selvagens, mais até do que os gatos. Achava impressionantes sua força, sua majestade, sua desenvoltura e cores, seus padrões de pelagem e força.
Quando vi um bengal pela primeira vez, fiquei completamente fascinada. O fundo alaranjado contrastando com as manchas de leopardo, o porte e o ar selvagem, o jeito de tigre domesticado, me deixaram sonhando...
Sonho que julgava impossível e improvável que viesse a se realizar, em virtude do preço de um exemplar da raça e do equilíbrio delicado do meu orçamento, uma vez que, com 32 felinos para cuidar, não dava para pensar em gastar muito dinheiro. Seria muito arriscado, um deles poderia vir a precisar de cuidados veterinários urgentes e eu não teria como tratá-los, ou poderia precisar de alimentação especial, remédios, enfim, era complicado demais investir no meu sonho dourado bengal.
Em fins de 2003, entretanto, através da amiga Marcia, conheci Marta Bettencourt, criadora de Minas Gerais, que desejava um site para o seu gatil, o Mamabê. E por um desses acasos do destino, ela tinha uma ninhada recém nascida... de bengals !!!
Fiquei doida por eles, e cheguei a pensar em comprar um dos filhotes, mas logo minha velhinha Nikita precisou de tratamento dentário e o sonho parecia estar ficando cada vez mais distante. Desisti.
Mas não desisti do site, e desde o princípio simpatizei muito com a Marta e fiquei comovida com o amor que ela sempre demonstrou ter pelos gatos que criava, fiquei encantada com os cuidados que tinha com eles, com o conforto e liberdade do seu gatil, enfim, tê-la conhecido mudou muito minha maneira de encarar criadores. Percebi que, apesar de haver muitos criadores de má fé e que só visavam seus próprios interesses, também haviam aqueles que se preocupavam de verdade com seus animais, e os amavam tanto quanto nós, gateiros.
E o tempo ia passando... E nós duas nos falando ocasionalmente. Em janeiro de 2004, os fihotes de bengal estavam com dois meses... E Marta me pergunta se eu ainda queria um deles !!! Ela estava realizando meu sonho, me presenteando com minha criança dourada !!!
E assim, no dia 2 de fevereiro de 2004, Mamabê Kayin Abayomi chegava em mnha casa, via Sampa, graças a uma conjunção dos esforços de várias amigas, que o acolheram, tiraram GTA, me receberam e foram fundamentais em sua entrada para a Tropa Felina.

Kayin significa "criança há muito tempo desejada", e Abayomi, "que nasceu para trazer alegria". Eu queria um nome que lembrasse suas origens selvagens, um nome tribal. Encontrei estes dois nomes em iorubá. Cairam como uma luva em um gato que foi um sonho realizado.

Nascido em: 03/11/03
Cor: Brown Spotted Tabby
Pêlo: Curto
Raça: Bengal
Particularidades: Voluntarioso, teimoso, implicante, mandão, mas surpreendentemente carinhoso. Brincalhão e divertido, pai adotivo de vários filhotes. Amoroso ao extremo, chega a ser chato, rsrsrs. Também é um marcador de território nato...

domingo, 20 de julho de 2008

NATAL ANTECIPADO

Dia 2 de dezembro de 2003.
Estava no gabinete da direção, quieta no meu canto, quando entra uma professora com uma notícia... Tinha visto três bebês gatos abandonados na quadra da escola. Não sabia o que fazer, e, claro, correu logo para a adoradora de gatos de plantão. :o)))
Não eram três, e sim cinco, cinco criaturas pequenas e mientas, muito fracas e desprotegidas... Tinha cerca de 17 dias de vida, e dois deles tinham os olhos muito inchados e inflamados, a ponto de ser impossível saber se estavam ainda lá ou se já tinham vazado.
Fiquei em pânico total, já que minha última experiência como babá de gatos tão pequenos ( temporária - apenas dois dias ) tinha sido desastrosa ( dois morreram em minha casa e outros dois na casa da amiga que estava cuidando deles ).
Mas sabia o que fazer e como agir, e então, arrumei mamadeira, leite, bolsa de água quente, muito algodão, soro fisológico e toalhas limpas e macias.
Comecei de imediato a tratar dos olhinhos doentes, e em poucos dias estavam desinchados e muito melhores, e eu muito aliviada de ver que estavam enxergando normalmente. Mitôa revelou um lindo olhão azul ( o outro olho é verde ) e Oleg, apesar de ter ficado com uma nuvem branca, não perdeu a visão.
Os bebês não comiam sozinhos, lógico, e foram muitas noites acordando a toda hora para alimentá-los, aquecendo leite, trocando toalhas da caminha... E quantas toalhas, acabei tendo que me presentear com um novo jogo delas no Natal, hehehehe...Também não sabiam fazer xixi nem cocô sozinhos, e tinham que ser estimulados a cada mamada com um algodãozinho molhado. Essa foi sem dúvida a pior parte !!!
Mas tive a ajuda da minha irmã nos primeiros dias, ficando de babá enquanto eu trabalhava, e graças aos nossos esforços eles iam crescendo e ficando danadísimos. Eram alimentados com leite, A/D diluído em água e Nutrical, nos primeiro dias dei também um complexo vitamínico para reforçar. Eram gordinhos e espertos, todos os cinco.
No entanto, eles um a um começaram a cair doentes. Era muito estranho, simplesmente amoleciam e ficavam super caidinhos, sem querer brincar nem nada, desidratavam em questão de poucas horas e em dois dos casos, vomitavam.
A primeira a ficar doente foi Mitôa, que era então a maior de todos. Ela simplesmente vomitou um líquido esbranquiçado em quantidade enorme, e entrou em estado de choque. Ficou caída de lado, sem reação, esfriando rapidamente. Fui igualmente rápida e a enrolei numa toalha em cima da bolsa de água quente, e fiquei pingando soro via oral durante horas, mas confesso que tive certeza que ela não resistiria. Mas depois de quase um dia inteiro, o milagre, ela se recuperou, e muito bem !!! Uma semana depois, teve outra queda destas, mas novamente conseguiu sobreviver, graças à bolsa, ao soro e ao Felovite.
Logo depois foi a vez da Bastet, que apesar de ter saído rápido da crise mais aguda, permaneceu doente por um longo tempo, só indo se recuperar totalmente com dois meses de idade. Durante todo esse tempo ela foi alimentada com seringa, na maioria das vezes forçada, e teve uma rinotraqueíte muito forte, que quase se transformou em pneumonia e resistiu aos antibióticos. Era a menor e mais fraca de todos, e só começou a se alimentar sozinha de ração sêca com quase três meses.
Noel foi o terceiro a adoecer mas, como era um dos maiores e mais fortes, não chegou nem a enfraquecer de verdade, e se recuperou bem rápido.
Oleg, o segundo menorzinho, que ficou com seqüelas do olho doente, veio em seguida, e ficou bem caidinho, mas apenas por uma noite. Com soro e Felovite, se recuperou logo.
A única a escapar dessa onda de doenças foi Ninochka, a maior de todos, que só veio a pegar rinotraqueíte aos três meses de idade. No entanto, tanta saúde era apenas aparente, e hoje sabemos que ela tem uma doença cardíaca congênita, a miocardiopatia hipertrófica. Mas leva uma vida normal, graças à medicação.
Com tanta dedicação aos pequerruchos, lógico que dificilmente os deixaríamos sair da família... Portanto, Oleg e Ninochka continuaram comigo, Mitôa, Noel e Bastet, a pequenina que adorava, com minha irmã.
Após a morte dela, em julho de 2006, Mitôa veio ficar comigo e juntar-se aos irmãos, Noel foi morar com o Flávio ( noivo dela ) e Bastet ficou com minha querida amiga Ana, que a amava desde bebezinha. Hoje se chama Iman.
Os três são peças chaves da minha vida, três tesouros essenciais. Todos os gatos que tenho são importantes, cada um a seu modo e por um diferente motivo, mas estes três chegaram tão pequeninos e frágeis... E tornaram-se gatos maravilhosos, meigos, comunicativos, espertos, de uma sensibilidade e uma doçura fora do comum. São muito apegados a mim, e eu a eles. São meus filhinhos "de verdade".

Mitôa recebeu seu nome da personagem da peça "Imagens da Quimera. Em nahuatl ( um dialeto mexicano ) significa "nós somos".
Nascida em: 13/11/03
Cor: Branca e preta
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Mitôa é uma gatinha delicada, molinha como uma boneca, toda dengosa e meiguinha, que adora mamar na roupa de qualquer pessoa e ficar agarradinha horas a fio. É minha buzininha, faz um som muito engraçadinho quando é apertada... Adora ser mimada e paparicada, e morre de ciúmes da irmã Ninochka.

Ninochka Olenka significa "graça sagrada". A vinda de Ninochka, Oleg, Mitôa e seus dois outros irmãos para minha casa, aos 15 dias de vida, foi o início de uma batalha e tanto, pois eram muito pequenos e doentinhos. Mas todos se salvaram, e estes nomes foram escolhidos com todo o cuidado.
Nascida em: 13/11/03
Cor: Branca e preta
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Ninochka é o ser mais mimado do universo, verdadeiramente minha dona - sou sua escrava de estimação. Manda em tudo e todos domina, e faz sempre valer sua vontade. Voluntariosa, porém cheia de charme e meiguice, me conquista com seu jeitinho amoroso e grudento. Adora ficar no meu ombro, uma vez lá, não sai por nada. Grande rival da irmã Mitôa, mas, ao contrário dessa e do irmão, não é muito chegada em estranhos.

Oleg Fiodor significa "sagrado presente de Deus". Ele foi o primeiro que escolhi para ficar nesta casa.
Nascido em: 13/11/03
Cor: Preto
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Um gatinho extremamente amoroso e brincalhão, que adora correr atrás de bolinhas e ratinhos e trazê-los de volta para mim. Super dengoso, adora amassar com as patinhas e dormir bem juntinho. Tem adoração por mim, e, se ouve minha voz mas não me vê, desanda a miar até me encontrar. Um amor, uma paixão, o dono pirata do meu coração.

sábado, 19 de julho de 2008

DEBBIE LYMME SIMPSON

Debbie, a filha mais velha de Inês, Debbie, que se tornou também minha filha mais velha.
Debbie, uma tricolor maravilhosa, de fundo branco com manchas redondas pretas e vermelhas, nasceu em abril de 1988, e foi encontrada pela Inês com cerca de um mês de idade, jogada na rua.
Era tão pequena que Inês ficou morrendo de medo que ela morresse, e era tão carente que ficou grudada nela por muito tempo... Inês me contava, com um sorriso nostálgico nos lábios, que ficou com a gata no colo um fim de semana inteirinho, porque toda vez que tentava colocá-la no chão, ela começava a chorar e só sossegava no colo.
Tenho uma foto da Debbie ao lado de uma gansinha, e todas as pessoas para quem já mostrei essa foto me perguntam se a ave é mesmo de verdade. E é...Um dia Inês foi a um hotel fazenda, e viu uma gansinha sendo morta pela própria mãe. Bondade em pessoa que era, foi logo catando a bichinha e tratando, e acabou levando para casa, onde ela viveu feliz em meio aos gatos, e a Debbie tomava conta dela, não só não atacava a gansinha como ainda gostava dela !!!
Uma história nada espantosa em meio a tantas histórias deliciosas da Inês, que já teve uma vez até um gato que pastoreava seus porquinhos-da-Índia...Debbie também era uma grande paixão, era sua filha mais velha, e uma das mais queridas. Me lembro como Inês ficava encantada quando a gata pedia carinho estendo a patinha e tocando nela, me lembro como ficava feliz de ver como ela estava bem, apesar da idade.
Lembro-me bem de quando a Debbie teve uma infecção séria nos olhos, tão séria que acabou tendo que perder um deles, e lembro melhor ainda do quanto a Inês ficou preocupada, sem saber se ela iria sobreviver à operação, se ela iria ficar bem novamente...
Mas que nada, a gatinha valente e linda ficou muito melhor depois de operada, tomou ânimo novo, rolava pelo chão e dava a barriguinha como se fosse um bebê...
E depois da partida de minha querida amiga, veio rolar na minha cama, com sua barriga gostosa e macia, me olhando com sua carinha linda, e miando pedindo comida quando eu acordava... Estendia a patinha para o meu rosto quando estava deitada, pedindo carinho como fazia com Inês.
Debbie já veio para cá bem velhinha, só com metade de um dente, uma corcova de gordura nas costas, e dormindo o tempo quase todo. Tive medo que não resistisse à viagem longa e à mudança de vida, mas ela mais uma vez surpreendeu.
Viveu comigo ainda mais três anos, partindo em março de 2006, aos 18 anos, de insuficiência renal.
Debbie era uma vovozinha muito calma e dorminhoca, mas sabia miar bem forte para exigir o que queria, fosse comida, fosse atenção extra, fossem carinhos em plena madrugada.
Era uma criaturinha meiga, doce e vivida, eu diria sábia... Gata espertinha, dengosa, que adorava ser aspirada e não tinha medo de nada.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

NIKITA LILA

A história da Nikita é a história de uma grande paixão.
Enorme paixão de sua primeira mãe, Inês, pelos gatos, paixão especial e forte entre as duas, mãe e filha, mulher e gata.
Nikita nasceu em Minas Gerais no dia 23 de setembro de 1993, exatos vinte dias após o aniversário daquela que viria a ser o grande amor da sua vida. E veio parar em São Paulo de uma forma curiosa.
Inês trabalhava na época em uma firma da qual adorava o chefe, o Dr. Erik. A esposa do Dr. Erik adorava gatos, e ele um belo dia resolveu dar um para ela de presente. Se não me engano, um presente de Natal... E encarregou a Inês de procurar um gato que fosse simplesmente deslumbrante.
Pois ela encontrou... Uma ninhada de balineses, nascida em um gatil mineiro. E assim veio o belo Ice, que eu cheguei a conhecer em uma das minhas idas à São Paulo, quando estive na casa do Dr. Erik. Inês ficou tão fascinada, tão apaixonada por aquela criatura linda, que tratou de providenciar a vinda da irmã dele... Só que para ela mesma.
E chegava Nikita em São Paulo, pequena e linda, com seus dentinhos para fora e seu olharzinho vesgo. Nikita que se tornou nada mais nada menos que o coração de Inês, Nikita que a acompanhou até o fim. Nikita que tempos depois dormiria toda noite em meus braços.
De uma união com um siamês vizinho, nasceram 4 filhotes, mas um logo foi ter com a Deusa Gata, e sobraram os lindos trigêmeos - Huguinho, Zezinho e Luisinho. Nikita amava tanto sua mãe que esperou que ela chegasse do trabalho para poder ter os filhos do seu lado. Teve os bebês na sua cama, com a ajuda e o apoio da mãe que a amava tanto. E era uma gata tão fina e tão chique que não amamentou o trio sozinha, e sim com a ajuda de uma gata amiga. Talvez por isso os três tenham se tornado gatos enormes, fortes e gordos, todos amorosos e lindos como ela.
E assim minha amiga e sua adorada gata viveram dez anos felizes juntas, dez anos em que Nikita foi reverenciada como uma deusa, e tratada como uma rainha, que verdadeiramente era no coração de sua mãe.
Mas nem tudo na vida são flores, e minha linda amiga Inês foi para junto de Deus no dia 13 de outubro de 2003...
Mas dez dias depois da sua partida, a bela e doce Nikita veio para cá, e se tornou o conforto da minha perda, o tributo à minha saudade. Seus olhos profundamente azuis me traziam de volta os olhos azuis de Inês. Seu olhar suave e cheio de ternura me fazia lembrar do dela, sempre cheio de uma compreensão sem igual.
Infelizmente ela permaneceu comigo por apenas dois anos... Foi para o céu em 24 de outubro de 2005, depois de vários tromboembolismos.
Nikita foi minha maior paixão, uma gata companheira, amorosa, afetuosa, ronronante e comunicativa, como jamais haverá igual. Um ursinho ao qual me agarrava antes de dormir. Saudades...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

JEAN-LOUIS

Jean-Louis, tímido e doce gato de olhos cor de mel, foi um dos primeiros gatos que a Cecilia abrigou em sua casa.
Ele veio do CCZ do Rio de Janeiro, e veio meio que por acaso.Foi assim... Ela foi lá e pegou alguns filhotes para levar e doar. Então, um corre corre... E vem uma criatura amarela e branca pequenina correndo. Tinha fugido, e então ela o levou também.
Jean-Louis ficou doente, os outros filhotes também, mas ele foi o único deles a sobreviver. Era um guerreiro... Um campeão. Lutou pela vida e venceu.
Ao longo dos anos, foi ficando para trás. Enquanto outros eram escolhidos e adotados, ele ficava.
E foi assim que o conheci, já adulto, na casa dela.
Se chamava Alemão, e era muito quietinho e delicado, uma coisa linda mas de olhar sofrido.
Achei que fosse ser fácil arrumar um lar para ele, mas não... Mesmo lindo como é, sobrava sempre.
Então, em setembro, o Flávio, amigo ( e depois noivo) da minha irmã, resolve adotar dois gatos adultos da Cecilia. Levo-o lá, e ele se encanta com Babette ( então Amiguinha ) e Jean-Louis ( então Alemão ).
Com medo que fossem doados antes de poder levá-los, ele me pediu para ficar com eles aqui em casa, já que estava de mudança e ainda ia mandar telar a casa nova, arrumar, etc.
Mas, por um desses acasos do destino, a mudança demorou a sair, e quando saiu, surgiu a possibilidade do apartamento não poder ser telado...
Enquanto isso, eles iam ficando... Até que decidi finalmente que não sairiam nunca mais. Eram meus... Por usucapião !!!
Jean-Louis teve uma certa dificuldade de adaptação, foi muito perseguido pelo Giuseppe... Mas hoje em dia, reina a paz !!!

Jean-Louis significa "luz graciosa de Deus".

Nascido em: 12/05/98
Cor: Branco e amarelo
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Suave, terno, amoroso... Uma luz realmente. Um gato extremamente pacífico, de boa paz. Um tanto medroso, não gosta de sons altos nem de movimentos bruscos. Adora os mais novos.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

BABETTE FANCHON

Babette é uma autêntica e legítima gata policial, uma gata com pose de manda chuva e andar gingado. Uma baixinha invocada, mas muuuito carinhosa.
Foi encontrada ainda bebê em Niterói, pelo amigo Rogério, que demorou meses para conquistá-la.
Mesmo pequena, Babette já era bem geniosa e brava, e foram meses atraindo-a com comida, acariciando, e finalmente levantando no alto. Um belo dia, ele colocou uma caixa de transporte ao lado e pluft !!! Levantou a gata e colocou-a lá dentro em vez de no chão.
Babette ficou uma fúria, e assim lá foi ela para a casa da Cecilia, onde teve que ficar no alto, longe de tudo, porque atacava todos que passavam. Ficou dias urrando e bufando de raiva.
Aos poucos se acalmou e gradativamente começou a aceitar a convivência com outros e com as pessoas. Mas se manteve meio rabugenta, hehehehe, não gosta que outros felinos tomem muita liberdade com ela...
Eu já a conhecia há meses e até tinha pensado em adotá-la, mas deixava pra lá, já tinha muitos.
Então, em setembro de 2003, o Flávio, amigo ( depois noivo ) da minha irmã, resolve adotar dois gatos adultos da Cecilia. Levo-o lá, e ele se encanta com Babette ( então Amiguinha ) e Jean-Louis ( então Alemão ).
Com medo que fossem doados antes de poder levá-los, ele me pediu para ficar com eles aqui em casa, já que estava de mudança e ainda ia mandar telar a casa nova, arrumar, etc.
Mas, por um desses acasos do destino, a mudança demorou a sair, e quando saiu, surgiu a possibilidade do apartamento não poder ser telado...
Enquanto isso, eles iam ficando... Até que decidi finalmente que não sairiam nunca mais. Eram meus... Por usucapião !!!
Babette é uma gata maravilhosa, que adora visitas e curte muito ser mimada, e por quanto mais pessoas, melhor. Adora carinhos e amassos, adora gente. Meio rabugenta com gatos, gritadeira de carteirinha se provocada, mas ótima com seus amiguinhos, especialmente Oleg, Athos e Banshee.

Babette Fanchon significa "estrangeira livre". Ela veio realmente como uma estrangeira, não era para ficar, estava apenas hospedada aqui. Livre, sempre foi, independente, desembaraçada... Mas cheia de amor.

Nascida em: 20/01/01
Cor: Escama diluída
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Uma das mestras de cerimônias da casa, vem receber qualquer visita com muitas cabeçadas. Se não dão atenção, mordisca os cabelos. Adorável.

terça-feira, 15 de julho de 2008

OTHELLO, O MOURO DE VENEZA

Melhor dizendo, da praça. :)
Minha irmã estava passando por uma rua, não me perguntem porque, nem o que tinha ido fazer.
Só sei que ela passava, ela e o então amigo, mais tarde seu noivo, o Flávio.
Passavam quando viram um bichinho preto parado feito bobo ao lado de uma loja de mármores.
Chegaram mais perto, e ele nada, não fugiu, não saiu correndo, só ficou parado olhando.
E ela, claro, foi logo pegando no colo, fazendo carinho, e o gato só parado, olhando, todo molinho...
Irmã de gateira, gateira é. E... Lá veio ela para casa com o pequeno morceguinho à tiracolo.
No caminho viu que alguém tinha cortado a ponta do rabo do gatinho, mas felizmente não chegou a machucar, só cortaram o pelo. Mas foi bem rente, foi por um triz...
Quando chegaram aqui em casa, olhei para ele e pronto... Já vi mesmo que não saía mais, ou daqui de casa, ou da casa dela. E realmente, lá ficou, hehehehe... Não tivemos coragem de tentar doá-lo, é preto... E se fizessem alguma maldade ? Sem contar que em termos de doar gatos, minha irmã era um fracasso completo, igualzinha à mim, hehehehehe...
Bom, ele estava com marcas de unhadas, de unhas de gente, dos dois lados do corpo. Suponho que tenha sido agarrado por alguém que queria usá-lo para qualquer coisa excusa ( quem sabe até um ritual ), mas ele de alguma forma se desvencilhou e fugiu, indo parar em frente à loja de mármores. Quem sabe estava tão parado de cansaço...
Não importa. O fato é que o Otello se tornou um gatinho muito amado e dengoso, minha mãe o adorava, porque era todo bonzinho e quietinho, e adora colo... Como você colocava, ele ficava.
Após a morte da minha irmã, passou uma boa temporada aqui em casa, mas não se adaptava de jeito nenhum aos meus gatos, e foi então morar no Texas com a mãe do Flávio.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

CHARLOTTE BREVÈ

E eis que, apesar de já ter em mãos minha Ômega, que daria glorioso fim à série, me tomo de amores por mais uma persinha. Mais uma karaxatada.
Na véspera do dia dos pais fui na casa da Cecilia, e logo fui ver as novidades: 3 persas que tinham sido deixados lá. Uma era uma persinha branca muito magrinha, de dar dó. Outro era um persa champagne maravilhoso de lindo. E a terceira, uma persa prateada e branca. Ao menos eu achei !!!
Cecilia me pediu para dar vermífugo, e quando tirei a gata da gaiola... Qual não foi a minha surpresa ao ver que não era apenas uma bicolor... Era uma tricolor, uma autêntica e linda persa tricolor, uma cálico diluída, branca, prata e rosada.
Gente... Surtei com tanta beleza. Fiquei doidinha por ela.
A pobre da gata tinha uma história trágica. Uma das donas se matou, a outra foi presa, e a terceira não quis ficar com ela. Estava toda enredada, embolada, não dava nem para passar a mão, não se conseguia fazer carinho. O pelo estava todo duro, nós enormes e compactos, que não dava para desmanchar de jeito nenhum.
Me ofereci para levá-la para tosar, e a Cecilia aceitou. Mal sabia eu que ela seria minha... Jamais a pediria, mas vontade não me faltava !!!
Levei para a petshop, e realmente, como eu tinha pensado, não havia outro jeito senão tosá-la, e inteira, porque até o rabo estava todo duro. Ficou quase a zero, e coitada, debaixo daqueles bolos de pelo já estava com várias feridas, que na dúvida tratei como fungo. Se eram ou não, nunca soube...
Dias depois, eu teria que levá-la de volta, mas antes disso, a Cecilia me deu a boa notícia: eu podia ficar com ela, se quisesse. Claro que eu queria !!! Queria mais que tudo. E assim chegou minha bela, que com os gatos é mais para fera.
Charlotte é uma moça dengosa, e juro que pensei várias vezes antes de mandar castrar, pela primeira vez me senti realmente tentada... Mas acabei levando. Fazer o quê ?Ai, ai, ai...

Charlotte quer dizer "feminina". Brevè foi uma homenagem à Cecilia, mas descobri que significa "pequena" .

Nascida em: 09/08/00
Cor: Calico Smoke
Pêlo: Longo
Raça: Persa
Particularidades: Emproada e metida, não dá bola pra ninguém. Mas adora minha mãe, é louca por ela. Sempre atende quando ela chama. Ciumenta, daquelas que adora provocar ciúmes também. Gênio forte... rsss

domingo, 13 de julho de 2008

AS GÊMEAS

Em pleno Carnaval, eu estava na casa da Cecilia, quando de repente achei que uma de suas persas estava meio esquisita. Gorda, abaulada. Xiiiiiii...
A gata era uma fumaça preta, chamada Sofie. Tinha sido largada pela antiga dono, junto com outros dois irmãos, porque o filho da fulana não gostava de gatos e ela, muito magnânima, resolveu se desfazer deles como presente de aniversário para a criatura... Sem comentários...
A gata tinha vindo como castrada, e de fato nunca tinha demonstrado nenhum interesse pelo Baal, belíssimo himalaio, único garanhão inteiro da casa.
Mas que estava grávida, estava, era inegável até para uma leiga em partos gatais como eu...
Ela não gostou nadinha, mas eu fiquei super contente. Queria um bebê persinha e então, lá estava a minha chance !!! O que eu não imaginava é que viriam dois, hehehehe...
O tempo foi passando e a barriga foi aumentando. No dia 31 de março desse ano, eu estava na escola quando a Lucy me ligou para dizer que estavam nascendo !!! Larguei os alunos que estava atendendo de lado, liguei correndo para a Cecilia e soube que tinham nascido 3 filhotinhos... Todos iguais, todos pretinhos como a mãe.
Dois dias depois, lá estava eu, e fiquei agoniada quando vi que um dos filhotes, o menorzinho, estava magrinho e paradão, sem se mexer nem mamar...
Tentei fazer com que pegasse uma das tetas e mamasse, tentei por um tempão, e nada. Não conversei, pedi mamadeira, leite, e dei para o bebezinho, que depois de algum tempo sendo aquecido e alimentado, se recuperou. Quando vi que já procurava a mãezinha e conseguia mamar sozinho, sosseguei... Mas já tinha feito a minha escolha. Era aquele que eu queria, o menorzinho, o mais peladinho, o menos bonitinho. Seria o meu Ômega Cat, o último gato a entrar nessa casa.
Nos dias que se seguiram, o filhote passou por alguns enroscos, por exemplo, foi parar na lata de lixo, porque a mãe gata, muuuito limpinha, misturou o bebê no cocô, e como ambos eram pretos... rs
Como o pequeno persinha era meu presente de aniversário, resolvi trazê-lo para casa neste dia: 23 de maio.
Só que, antes disso... Duas surpresas... Melhor, três...
A primeira, eu traria não um, mas dois filhotes... Traria também a Órion Galaxy.
A segunda... Ômega não era macho... Era uma menininha !!!
E a terceira, bem... Antes das duas chegarem aqui... Adotei mais uma gatinha, a Yasmine.
No dia do meu aniversário, fui na casa da Cecilia toda feliz, e trouxe minhas duas pequerruchas peludas, lindos pompons fumacinhas, que deixaram minha mãe completamente apaixonada.

Ômega Cat ganhou esse nome porque seria, originalmente, a última criatura felina a entrar nessa casa. Sua irmã Órion ganhou o nome de uma das mais famosas galáxias do Universo.

Nascidas em: 31/03/03
Cor: Black Smoke
Pêlo: Longo
Raça: Persa
Particularidades: Duas maninhas parecidas na cara, no corpo e no jeitinho. Ambas atrevidas e danadíssimas, arredias e dificeis de agarrar. As duas não se largam, estão sempre juntas e praticamente só brincam juntas. Odeiam ser separadas, fazem grandes escândalos. Se amam apaixonadamente. Órion é a eterna namorada do Yan... :)

sábado, 12 de julho de 2008

YASMINE SHADOW

Dois dias depois da captura do pequeno Maiakovski, haveria uma exposição de gatos num shopping, onde minha amiga Lucy iria expor peças da sua loja, a famosíssima Gataria.
Combinei de ir com ela, para dar uma mãozinha e também para expor, orgulhosa, meus colares para gatos, que tinha acabado de fazer para a loja.
Chegamos bem cedo, arrumamos tudo, e montamos as peças, uma mais maravilhosa do que a outra.De um lado, estava a exposição de gatos de raça, filhotes que mais pareciam pompons, carinhas achatadas e criaturas super peludas.
Do outro, uma exposição paralela, com gatinhos e gatões para doação. Como não tinha muita gente ainda, resolvi dar uma voltinha... Do lado errado, claro... O lado onde tinham os gatinhos para doar.
Eram tantos, tão lindos, pequenos, grandes, de todas as cores e tipos. Todos com aquela carinha carente.
Eu estava achando todos maravilhosos, mas de repente... Meus olhos encontraram o quê ? Uma escaminha... Mas não uma escama qualquer... Uma escama diluída, blue-cream, linda, cinza com creme rosado. Fiquei encantada, claro. Lembrei logo da minha Thalia, não porque eram parecidas, mas porque era uma escama.
Cheguei perto para olhar melhor, fascinada, e aquela coisinha olhou para mim... E vi que um dos olhos era completamente ferrado, com duas enormes lesões na córnea. Mas isso, longe de me afastar, me encantou mais ainda... Tão pequenina, tão desprotegida, e tão linda !!!
Fui logo perguntando como podia adotá-la, quantos meses tinha, se enxergava, como tinha ficado assim... E voltei para a barraca muito feliz, com a pequena nos braços, e a Lucy me olhou daquele jeito que só ela sabe olhar quando sabe que adotei mais um... Embora ela mesma não possa dizer nada... rs
Logo coloquei nela um colar lilás e dourado, que combinava muito bem com ela. A gata era uma fofa, ronronante e carinhosa, e ficou bem quietinha no colo durante toda a exposição, e não havia quem não passasse e se admirasse com sua beleza. Um charme !!!
E ela foi pega no colo por várias tias que tinham ido prestigiar a exposição e já conheceram em primeira mão a nova sobrinha...
Batizei de Yasmine, em homenagem à gata de outra amiga, a Carla Jacinto, da lista Gato, que tinha acabado de adotar uma gata com esse nome.

Yasmine significa "jasmim" e Shadow, em inglês, quer dizer "sombra". Yasmine foi por causa da delicadeza do desenho dessa gata, que me fazia lembrar a perfeição de uma flor, desenhada sulco a sulco, estame a estame. O jasmim é minha flor preferida. Sombra por causa dos olhos dela, que carregam lesões antigas.

Nascida em: 04/12/02
Cor: Blue cream
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Gatinha manhosa e gordinha, que adora brincar. É acima de tudo muito feliz, de uma alegria contagiante. Barriga gostosa de coçar, carinha dengosa, companheira de quase todos os gatos.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

VLADIMIR MAIAKOVSKI

Algumas pessoas até tremem quando eu digo certas palavras, tipo "novato","resgato", "recruta"...
Mas antes mesmo de trazer para casa minhas pequeninas persas, prometidas de aniversário, aconteceu um fato imprevisto...
E de repente eu tinha um pequenino elfo branco no meu banheiro. Como ? Bem...
Madrugada do dia 25 de abril de 2003. Estava desligando o micro quando ouvi uma série desesperada de miados fininhos, sonoros e retumbantes.
Lógico que fiquei de cabelos em pé, e imediatamente passei a tropa em revista... E... Necas !!!Então, como toda boa gateira maluca que se preza, fiz exatamente o que não devia. Corri pra janela !!! E ora bolas se não estava lá na rua, bem em frente à minha janela, no muro da escola em frente, uma criatura orelhuda e pequenina de uns 45 dias...
Verdade, juro. Ninguém merece gostar de bicho e morar numa rua movimentada onde passa ônibus a três por dois. Muito menos ficar bonitinha acordada fazendo seu site e deparar com uma criatura miante saindo das sombras...
Bom, fazer o que... Claro que eu desci esbaforida. Aí, como desgraça pouca é bobagem, o pequenino ser inteligentemente se enfiou dentro da primeira casa que encontrou, que por um acaso é a residência de um maravilhoso, mignon e delicado rottweiller. A essas alturas eu já estava me vendo sem mão, sem perna, quem sabe até sem orelhas. E pior, o gato, muito hábil, simplesmente não conseguia mais sair.
Levei uma lata de Penny ( patê que infelizmente saiu de fabricação no Brasil ), precavida que sou. Mas lógico que não adiantou, ele estava pra lá de assustado.
Nesse interim ouço meu irmão aos berros lá do alto, e ouço passos pela rua, descalços. Minha irmã, só podia ser, não ? Êta família de lunáticos. E minha mãe falando feito matraca lá em cima também.
Tentamos chamar o bicho de todo jeito, mas jeito não houve. Tal foi a miação minha e da minha doidirmã, que acordamos o dono da casa. Aí a histérica começou a chorar ( ela, não eu, eu sou fria pra caramba nessas horas, podem crer ) e a gritar e acenar, e eu disse, "FALA QUE O GATO É SEU !!!" Ela, como uma papagaia ensinada, repetiu direitinho, aliás, bem demais, não parava de dizer "MEU GATINHO CAIU AÍ", "MEU GATINHO CAIU AÍ", "MEU GATINHO CAIU AÍ"...
O homem, já de saco cheio ( claro, que gente doida, acordar alguém às 4h da madrugada porque um gato caiu na casa dele... ), foi de mau humor atender, mas ao menos teve a boa vontade de tocar o gato pra fora... E não é que o safado saiu em desabalada carreira pela rua afora ? E lá fomos nós atrás... A maluca chorando e gemendo nesse vale de lágrimas, e eu mandando ela calar a boca que desse jeito não ia dar.
Fazer o que ? Botei pra vigiar o trânsito, que jeito !!! E enquanto isso o bebezinho se enfurnou atrás de uma pedra grande adivinhem onde ? Na casa em ruinas aqui ao lado, onde em uma bela Páscoa encontrei Lucca, Alyssa e Aysha... E lá ficou.
Minha irmã disse que pegava, que não tinha medo, etc, mas claro que, principiante que era, recuou no primeiro fuzzz. E foram muitos, o bichinho estava uma fera !!!
Então, claro que quem teve que ir pegar foi a degas aqui... E claro que consegui, não é ? Conosco ninguém podosco, quaquaquaquaqua !!!
Peguei com a maior facilidade, e enfiei dentro da caixa, onde ele veio alegremente pulando, apavorado. Tinha uns 45 dias, dois buracos nas costas (não sei se sarna, mordida de cachorro, ou o que ), olhos remelentésimos e nariz escorrendo... E completamente imundo e cheio de gracinhas, fazendo fuzzzz bravos e tascando a pata como ninguém.
E assim falou Zaratrusta. Digo, assim, chegou Maiakovski.
Irmão da Trinny e do Pushkin, dileto terceiro rebento da minha irmã.
Hoje morando comigo, grande e gooordo como uma bola de futebol...

Naturalmente, Vladimir Maiakovski foi batizado assim em homenagem ao poeta... Minha irmã era poetisa, brilhante por sinal, e adorava poetas russos.

Nascido em: 26/03/2003
Cor: Branco
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Um gordinho extremamente simpático e dengosinho, que adora carinhos e dormir no sofá de barriga para o ar. Se adaptou maravilhosamente aqui em casa, se dá bem com todos os gatos. Muito amoroso e tranqüilo, adora subir em algum lugar e ficar dando voltinhas, é a sua dancinha...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

DOIS MANOS

Em janeiro de 2003, minha amiga Luisa viu nascer em sua casa uma ninhada linda de cinco gatinhos, cinco surpresas que vieram dentro de uma gata kinder ovo, a gata que ela adotou no início de dezembro de 2002, apropriadamente chamada Christie.
Eu estava em casa, era o dia 26 de janeiro, um domingo, e, toda boba porque nunca tinha visto gatinhos recém nascidos, corro até a casa dela e passo horas e mais horas embevecida, olhando aquelas coisinhas tão pequeninas e tão lindas.
Fico encantada com um ruivinho lindo, delicioso, todo rajado de listras largas, classic tabby.
Mas as duas meninas tigradas com branco são uns amores, e tem um gatinho muito engraçado que só faz dormir, branco com uma mancha cinza na cabeça, e o mais feinho de todos, um todo branquinho, mais para rosado, com jeitinho de camundongo.
Essa ninhada foi muito especial desde aquele primeiro dia. Volta e meia eu ia lá e acompanhei como cresciam rápido e lindos, e como eram espertos !!! Logo já estavam brincando, a coisa mais maravilhosa. Um verdadeiro milagre.
Fiquei balançada pelo ruivinho, mas ele foi o primeiro a ser doado. A Luisa iria ficar com as menininas, e então, sobravam o todo branquinho e o branquinho com mancha cinza na cabecinha...
Como queríamos montar uma barraca na Lagoa para doar alguns gatos, me ofereço para levá-los comigo, e doá-los para a Luisa.
Minha irmã estava querendo um irmãozinho para a Trinny, e já era certo que ficaria com um. O outro eu levaria para a barraca. Me engana que eu gosto... E eu lá consigo doar alguma coisa ? rs
Bom... Trouxe os dois comigo, e minha irmã, para minha surpresa, escolheu o que eu então achava mais feio, o branco com mancha cinza. Depois ela me confessou que fez de propósito, porque notou meu interesse no branquinho... Safada !!!
E o outro, oras... Como eu poderia deixar de ficar com aquele gatondongo tão branquinho, meu floco de neve, meu gatoelho ? Não dava !!!
E assim ficaram os dois. Um com a minha irmã, que se chamou Alexander Pushkin, e após a morte dela, foi morar com seu noivo Flávio.
E o outro comigo. Meu Anakin Skywalker, meu coelho lindo e meigo, que adora filhotinhos. Minha figurinha difícil com as visitas, que costumam chamá-lo de Gato Fantasma, porque nunca é visto. Raramente confia em estranhos.

Anakin foi batizado assim por causa da minha adoração pela série Star Wars, mas fucei a internet inteira atrás do significado, que é "pioneiro viajante das estrelas".

Nascido em: 26/01/03
Cor: Branco
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Um gato pacífico e tranqüilo desde bebê. Nunca foi chegado a correrias ou a grandes bagunças. Nunca brigou. Sempre acolhe bem os novatos. Muito na dele, verdadeiro anjo.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

LAUREN BELATRIX

Meados de fevereiro, vou na casa da Cecilia.
Estou fotografando seus gatos para colocar o site no ar e começar a doá-los em grande escala.Entro no "gatário", e pela décima vez, sou escalada por uma criatura gorda, grande e fofa, linda, hiperextracarinhosa e deliciosamente loura. Mais uma blusa estragada.
Eu já tinha o olho nela há muuuito tempo, e resolvo que vou levá-la. Me dá pena aquela menina tão carente, que adora gente...
No dia seguinte, volto para buscá-la. E a chamo de Lauren Belatrix.
Lauren significa "laureada, coroada de louros, gloriosa", é o que ela é. Belatrix deriva de Beatriz, "que faz os outros felizes". E ela realmente faz qualquer um feliz, pois se dá com todos, recebe as visitas com carinhos e adora colos...
Não há quem não se apaixone pela minha giganta nórdica. Lindíssima e dourada, meu raio de sol. :o)))
Lauren foi abandonada bebê com uma irmãzinha, louríssima como ela. Foram doadas juntas para uma mulher que tinha duas filhas gêmeas, mas devolvidas, por serem “muito chatas”.
Talvez ela já fosse grudenta e carente assim, não sei. Mas o fato é que tirei a sorte grande por ter sido devolvida.
A irmã foi doada, ela não... Que bom !!! Acho que ela sempre esteve esperando por mim.
É a criatura peluda mais apegada a mim, me segue e adora colo, deita todas as noites comigo, sempre com as patas em cima de mim, sempre grudada, sempre amorosa, sempre por perto.
Minha gigante loura, minha deusa nórdica...

Nascida em: 13/11/00
Cor: Amarela
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Mocinha grudenta e carinhólatra. Ciumentíssima, quer os humanos todos só para ela. Adora visitas. Não liga para gatos. Pensa que é gente. E eu acho que ela é. De uma inteligência e compreensão infinitas.

terça-feira, 8 de julho de 2008

DUPLO RESGATO

Fevereiro de 2003, maior calor, minha irmã me chama pelo interfone, pouco antes da meia-noite. Tinha visto uma gata grávida numa rua aqui perto, tentou pegá-la mas ela fugiu. Ela sobe, pega uma caixa de transporte, vai lá correndo mas nada... A gata tinha sumido.
No dia seguinte, de tanto encher meus pobres ouvidos, ela me convence que tenho que ir lá ajudá-la a resgatar a gata. E lá vamos nós... Eu com minha caixa, um pote de ração, dois sachês de pratos favoritos, uma colher, um potinho.
Vasculhamos a rua, e nada. Nem sinal. Até que... Vejo um gato correndo... Um outro gato. Vejo que entrou num terreno que pertence à Petrobrás, e vou até lá para espiar. Surpresa... Não apenas um gato, mas mais ou menos dez deles, entre adultos e filhotes. Dois pretos machos ( beeem machos ) e o resto, todos tigrados, em diferentes tons.
Me dá aquele desespero... Pegar uma gata, tudo bem. Mas onde eu iria enfiar dez ?
Coloco comida e tento fazer amizade com aqueles gatos magrinhos. Vejo uma fêmea peluda grávida, mas minha irmã diz que não era aquela. Todos são muito bravos, todos muito ariscos. Comem com voracidade, avançam na comida, mas mesmo com fome recuam ao menor movimento nosso.
A rua é muito movimentada, e o terreno, bem na calçada. Passa muita gente, a toda hora, os gatos se assustam e fogem. Eu sento no chão, no meio da rua e espero, não me importa mais passar por maluca completa. Só me interessam os gatos. Mas é muita gente, muito movimento. Não consigo nada naquela noite, resolvo voltar no dia seguinte...
E quando volto, menos gatos já me esperavam... Dos filhotes, que eram quatro, um deles bem magrinho, restavam apenas dois. Fico mais desesperada ainda, sem saber o que aconteceu. Alguém colocou macarrão para os gatos, ótimo, penso, ao menos alguém se preocupa com eles...
Coloco mais comida, só que dentro da caixa. Um dos filhotes se arrisca a sair, mas é bravo e assustado, e não consigo fazê-lo entrar. Volto em casa e apanho carne moída crua. Tentador... O filhote entra e fecho a caixa correndo. Ele pula, se joga, dá saltos deste tamanho. Seguro firme a caixa, enfio a colher e o prato numa sacola de plástico, e volto pra casa. Menos um naquele lugar horroroso...
Quando chego em casa solto o bichinho no banheiro, e o pobre coitado parece perdido, sem saber bem o que fazer, onde se enfiar. Tem um olhar de medo, e rosna, assustado. Resolvo deixá-lo quieto. Tem por volta de 5 meses, já é grandinho. Todo tigrado, lindo, narizinho cor de tijolo, delineado com preto...
No dia seguinte volto, resolvida a pegar a gata peluda e grávida, que tinha um olho enevoado. Mas que nada... A gata é extremamente desconfiada, passo horas sentada no chão e nada. Ela chega perto da caixa e rouba a carne, mas não se deixa enganar. Fico doida.
Começo a fazer barulhos com a comida para atraí-la ou qualquer um dos outros, já não me importa mais qual. O outro filhote sumiu, não estava mais lá... Qualquer gato que eu pegasse seria bem vindo e bem pego. Continuo fazendo barulhos e o que vejo ? Uma gata com uma barriga enorme vindo lá de longe, do meio da rua, de outro lugar mais distante, uma gata grávida, mas não qualquer uma...
Aquela gata original, que me fez descobrir a colônia. A gata que minha irmã viu.
Ela parece morta de fome, e eu mostro a carne crua e esfrego dentro da caixa. A gata entra, mas não toda, sai para longe mas volta. Ficamos nesse joguinho, eu esperando o momento certo, porque sei que se errar, já era. Ela entra toda... E... Pronto !!! Peguei !!!
Corro pra casa com aquela pequena fúria nos braços, bufando, rosnando e tentando me bater. Mas estou feliz, consegui !!! Agora são menos dois para viver ali.
Quando chego com a gata e a solto no banheiro, descubro surpresa que o filhote é filho dela... Fico achando que é de uma ninhada anterior, mas sem dúvida é seu filho, porque mal a vê, já corre para ela, para se esfregar, e imediatamente ela se deita e ele começa a mamar. Linda cena...
E assim chegaram Yan Julien ( "presente jovem de Deus" ) e Luciola Annya ( "esperança ressurgida" ), mãe e filho que deram trabalho para pegar, mas que se tornaram gatos felizes.
Yan em poucos dias tornou-se um doce, e hoje é um dos gatos mais apegados e amorosos que eu tenho, é todo dengoso e adora ficar rolando por cima de mim, me dando sua barriguinha linda e cheia de bolinhas, e dando cabeçadas, todo feliz.
Mas Luciola... Nossa !!!
A primeira complicação foi a tão famosa gravidez. Que não era mais nada senão vermes e maus tratos. É de impressionar, porque a barriga era descomunal, como se ela estivesse para parir... Mas no fim das contas não era nada disso. E olha que esperei longo tempo pelos filhotes... Depois fiquei achando que tinham morrido lá dentro... Depois achei que se tivessem morrido, pelo tempo já seriam múmias !!! rs
Bom, a segunda coisa é que Luciola tornou-se uma maluca, uma suicide blonde. Uma madrugada, mais ou menos uma semana depois que os peguei, fui acordada pela amiga Lucy que me ligou com uma dúvida sobre um gato dela. Me deu na cabeça de ir no banheiro dar uma olhada nos gatos e quando abro a porta... quase morro !!! A gata estava no alto da janela, no alto do basculante, forçando a tela !!! E bem na minha frente, ela força a tela e passa para o outro lado, se equilibrando no basculante por um fio. Fico completamente sem ação, sem pensar vou soltando a tela dos ganchos, ponta por ponta, mas quando solto tudo a gata começa a deslizar para fora. Gente... Nunca senti tanta agonia na minha vida !!! Sem pensar, agarro a gata pelas patas de trás, a única parte dela visível agora, e dou um puxão, ela tenta se agarrar e forçar o corpo para fora, mas sou mais forte e a trago de volta. Ela me morde, me bate, me arranha, e a jogo no chão. Olho pra cima, olho pra janela sem tela e abro a porta, não tem mais jeito...
Pronto, está feito... Seja o que Deus quiser, os dois se misturam com os meus gatos. Mas nem preciso me preocupar, Yan fica na sala, mas Luciola...
Desembesta para o quarto de empregada, onde há um nicho no alto ( tipo um armário, só que sem portas ), e não sei como, consegue se enfiar lá. Bom... Ela ficou lá em cima exatamente por três semanas, sem descer, eu colocando água, comida e caixa de areia lá no alto todos os dias.
Depois disso, enchi, toquei para baixo à força, com a vassoura, e enchi o nicho de caixas, para que ela não mais subisse ali. Ela foi para debaixo da mesa da sala, onde viveu por muitos meses. Depois dessa fase, começou a se enturmar, e a perder o medo, e adorava dormir nas cadeiras da mesa, e na maioria das vezes, no sofá. Tinha sua própria casinha, um iglu onde dormia quando estava mais frio.
Nunca consegui tocá-la... Só quando foi castrada, sob efeito da anestesia. E dias antes de sua morte. Sim, pois minha linda flor selvagem se foi no dia 13 de julho de 2004, ceifada em poucos dias por uma insuficiência renal agravada pela FIV. Como era muito quieta e sossegada, não percebi nenhum sintoma de doença, até que um dia a vi cambaleando. Para minha surpresa, consegui pegá-la... E no dia seguinte, apavorada, corri para a clínica, onde foi descoberto que era portadora de FIV ( AIDS felina ), e tinha um quadro já de falência renal. Era um sábado, e na terça, depois de muitas convulsões e sofrimento, resolvi por fim em sua sua luta inglória contra a morte próxima. Com um peso enorme, que esperava jamais voltar a sentir, autorizei a eutanásia.
Ironicamente, em seu último mês de vida, Luciola já não corria para se esconder quando eu chegava perto dela. Havia começado a brincar, a jogar bolinhas e ratinhos por todo canto, a se pendurar no sofá da sala, havia começado finalmente a aproveitar a vida como talvez jamais tivesse feito antes. Estava leve, relaxada, feliz em sua casa. Pela primeira vez, eu a sentia minha... E foi justamente nesse momento, quando mais chance havia de uma aproximação, que a doença a tomou de assalto.
Restou-me o consolo de seu filho Yan, um dos gatos mais carinhosos da casa, que enche meus dias com todo o seu amor.

Nascido em: 18/09/02
Cor: Tigrado
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Carinhólatra, cheio de dengos, muito apaixonado e extremamente apaixonante. O gato mais lindo da casa, com seu ar de gato selvagem e temperamento de felino bom. Companheiro fiel do Anakin, namorado eterno da Órion. Um amor de gato, um verdadeiro presente. Perfeito, maravilhoso. Meu gatão delícia. :)

IN MEMORIAM

Lucíola, mãe do Yan, foi um desses mistérios que a vida nos impõe. Gata brava, arredia, desconfiada e esquiva, só se deixou tocar quando já estava muito mal, às vésperas de sua morte.
No entanto, eu a amava tanto, e admirava tanto seu espírito indomável, que vê-la partir tão cedo da minha companhia encheu meu coração de mágoas e eu só me perguntava: por quê ?
Ela era tão combativa, tão expressiva, tão ardentemente felina. Era também de uma tristeza infinita, que sentia pesar em seu olhar sempre que ele cruzava com o meu. Por causa desse olhar, cheguei a me perguntar se não teria sido melhor que tivesse ficado onde estava. Mas não...
Aquele olhar era apenas um reflexo da vida sofrida, da dura vida que ela teve na rua. Conforme o tempo foi passando, ela mais e mais se adaptava à casa, e mais e mais se via que gostava de cada milímetro dela.
Lucíola amava os sofás, as cadeiras acolchoadas, e acima de tudo, seu iglu. Eu havia comprado o iglu ainda quando Chico era pequeno, para que ele dormisse. No entanto, nunca foi usado por gato algum, antes dela. E não foi usado por nenhum depois dela. Me livrei dele no dia mesmo em que ela morreu.
Ela adorava estar ali dentro, aquecida e tranqüila. Adorava dormir ali, protegida. Era lindo de se ver como ela rolava feliz no forro do iglu e como se esfregava ali, deixando seu cheiro para que todos soubessem que aquilo era só dela. Foi no iglu que se refugiou quando a doença a atacou. Foi lá que se escondeu de mim, só me deixando percebê-la mal quando já era tarde demais.
Paradoxalmente, Lucíola, apesar de nunca me deixar tocá-la ou chegar próximo a isso, parecia gostar da minha companhia. Gostava de ficar no encosto do sofá em frente ao que eu estava, me observando. Gostava de pegar pedacinhos de comida da minha mão. E mais que tudo, me falava com os olhos.
E tanta coisa me dizia aquele olhar, tanto de gratidão, de amor, de um selvagem mas lindo amor.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

NIKITA PIKACHU

Dia 22 de janeiro.
Estou eu trancada no banheiro cuidando de duas gatas recém castradas e toca o telefone, sem parar. Atendo e... É minha mãe, aos berros.
Disse que meu irmão estava aos prantos porque voltou da faculdade cheio de pastas e papéis e viu um gatinho debaixo de um carro mas não tinha como pegar, que ele estava histérico e berrando ( como se fosse só ele, hehehehe ), e que eu pelamordedeus fosse lá ver se achava o pobrezinho-coitadinho-do-gatinho-será-que-ele-ainda-está-lá ?
Eu digo que nem pensar em ir pegar... Mas vou, claro. Não podia deixar de ir.
A criatura aqui, euzinha, meti a primeira roupa que vi e fui à luta, melhor, à caça do gato perdido. E minha mãe no interfone dizendo ai-meu-deus-se-ele- não-estiver-mais ? Ao que eu respondi, oras, se não estiver, não está.
Já saio de casa armada com bolsa de transporte e tudo mais. Vou o caminho inteirinho rezando para São Francisco, para que ele conserve o filhote no mesmo lugar até eu chegar. Prece ouvida...
São Chico colocou a mão naquela cabecinha e o guardou até eu chegar. Estava debaixo de um carro, ao lado de um churrasqueiro. Na pressa, vesti uma blusa transparente, hahahaha, deve ser por isso que o homem prontamente se prontificou a pegar o bicho... O que foi ótimo, porque o gatinho mimoso se transformou na fera do pântano. E lá vim eu com a criatura dentro de uma sacola de transporte.
Cheguei em casa, o gato estava sentado tranqüilamente, com as pernas cruzadas, e cara de quem diz "pô, demorou, heim ?" E minha mãe e meu irmão foram correndo ver e disseram ai-que-lindinho-qual-vai-ser-o-nome-desse- décimo-oitavo ? Céus, estava definitivamente perdida. Completamente birutas, tadinhos. Quem ouve até pensa que eu gosto de gato...
Bom, pulando essa parte e resumindo a ópera, a criatura foi para o quarto de empregada, com caixa de areia, patê, presunto, ração, água, brinquedos e tudo mais que tinha direito. Ficou um dia inteiro sem se mover, completamente apavorada. Depois começou timidamente a se deixar tocar. Hoje dorme enroscada nas minhas pernas, ou abraçada comigo. :)
Quase morreu intoxicada, porque veio completamente cheia de graxa.
Meu irmão a chamou de Pikachu. Eu achei bem bonitinho, porque adoro esse Pokémon, hehehehehe...

Nikita significa "pessoa vitoriosa" e foi dado pelo meu irmão, que adorava a série "Nikita". Como ela é uma vencedora, combinou. Elétrica do pokemón... rssss

Nascida em: 03/11/02
Cor: Prata e branca
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Minha schnauzer felina, colorida de sal-e-pimenta. Nervosinha e imprevisível, em um minuto lambe o gato e no minuto seguinte o estapeia. Não gosta de ser pega, só se for pelo meu irmão. Mas gosta de subir no colo e ficar amassando. Mia fininho e sentido, querendo carinhos sem fim. Comilona e graciosa.

domingo, 6 de julho de 2008

GIUSEPPE GARIBALDI

Giuseppe Garibaldi nasceu no dia 21 de novembro de 2002.
É filho de uma gata sem orelhas que foi resgatada por no Campo de São Bento, no começo da gravidez.
Quando foi encontrada, nada indicava que estava grávida, mas teve 4 lindos filhotes, duas petibancas e dois pretinhos, que acompanhei desde recém nascidos.
Quando fui visitar os bebês, com cerca de um mês de idade, fiquei encantada com um pretinho de babador branco, todo fofo e brincalhão. Aliás, todos eram uns amores... Tão alegres e lindinhos.
E menos de um mês depois, fui vê-los de novo e... não resisti...
Passei uma noite lá, no quarto onde estavam os bebês, e no meio da noite o pequeno pretinho de babador branco subiu na cama, se aconchegou na curva da minha perna e dormiu. Como eu podia deixar de levá-lo comigo ?
No dia seguinte, voltei toda contente, com meu pequenino de olho verde, que se tornou um gato maravilhoso, de pêlo de veludo e porte majestoso.

O chamei assim por causa da minissérie “A Casa das Sete Mulheres”. Se eu soubesse o significado do nome Giuseppe, teria escolhido outro, hehehehe...Giuseppe quer dizer... “Deus me aumenta a família”.

Nascido em: 21/11/02
Cor: Preto
Pêlo: Curto
Raça: SRD
Particularidades: Um verdadeiro meliante felino, safado e implicante. Detesta o Jean-Louis. Adora se fazer de machão. Mas é um carinhólatra nato, um amor de gato, capaz de te agarrar para ganhar chamego.

sábado, 5 de julho de 2008

TRICA LEE

E apesar de toda a tristeza pela perda do meu pequeno sonho, eu continuava ansiosa por ter a minha tricolor. Mas morria de medo, afinal, as duas gatas de três cores que havia adotado ( Thalia e Meg ) haviam morrido ainda bebês. Eu realmente acreditava, então, que minha sina era não ter uma gata dessas. Mas continuava sonhando com ela.
Minha amiga Cecilia, de cuja casa tinha vindo minha adorada Meg, estava doida para realizar o meu sonho.
Sempre que eu ia lá, ela insistia em dizer que eu tinha que levar uma tricolor, que ela ia me dar a tricolor que eu queria. E eu recusando.
Ela tinha duas tricolores lindas por lá para doar, ambas adultas. Uma de pelo curto, a Lóri. Outra de pelo longo.
A de pelo longo era parente do gato mais lindo dela, o Baal, e tinha sido deixada lá com seus seis filhotinhos, que logo foram todos doados, mas ela ficou.
Um dia, perto do Natal, ela cismou que eu teria que levá-la. Eu recusei, mas a Cecilia disse que não aceitaria um não... E trouxe primeiro a Lóri para o meu colo, mas a gata não quis ficar de jeito nenhum, se esquivou, ficou nervosa, pulou fora. Não era a minha filhota ainda...
Então ela trouxe a peludíssima Trica, mestiça de persa, maravilhosa, e fiquei de boca aberta com aquela beldade, ainda mais que nunca tinha visto a gata antes... Fiquei completamente surpresa, atônita, de queixo caído. Era a perfeição em formato felino. Era tudo o que eu queria. E quando veio para os meus braços, bem... Se aninhou no colo, ficou lá quietinha, ronronando, ronronando... E estava feito.Eu tinha enfim a minha tricolor esperada... A gata que veio para o Natal.
Trica é uma gata não muito dada, um tanto tímida, muito na dela. Não se dá especialmente com gato nenhum, mas também não briga com eles. É amorosa se acariciada, dengosa se procurada, meiga se solicitada.

Trica também já tinha esse nome, procurei apenas um complemento, Lee, que significa "leão". Nada mal para quem tem uma bela juba...

Nascida em: 26/08/00
Cor: Tricolor
Pêlo: Longo
Raça: Mestiça de persa
Particularidades: A gata mais deslumbrante da casa, de encher os olhos. Reservada porém amorosa. Adora minha mãe. Mimosa e delicada.

terça-feira, 1 de julho de 2008

PÊSSEGO SWEET


Quando Meg se foi, imediatamente, minutos após ela ter partido, tomei uma decisão: adotaria seu irmãozinho, Pêssego, que era o único gatinho da ninhada que ainda não tinha sido adotado. Decisão tomada no desespero do momento, debaixo de uma dor intensa, mas mesmo assim, foi uma decisão pra lá de acertada.
Eu tinha visto o Pêssego de relance quando adotei a Meg, uma bolinha branca e amarela rolando pelo chão com as irmãzinhas tigradas. Tinha visto o pequenino mamando todo feliz, mas não tinha prestado muita atenção – só tinha olhos para o meu sonho tricolor.
Depois que a Meg morreu, fui passar alguns dias na casa da comadre Li, e foi lá que conheci, por fotos, o meu novo filhote. E fiquei espantada, hehehehehe...
Pêssego era engraçado, patas enormes, como um coelho. Quando recebi suas fotos, morri de rir – que bichinho feio !!! A Li o chamou logo de narigudo, e ele era mesmo !!!
Quando voltei ao Rio, a querida amiga Ana ( novamente ela ) me trouxe o meu bebê já tão amado, um quase autêntico Van Turco, peludo e comprido. Já era um Pêssego Gigante. :o)))
Aliás... Já era meu, todo meu. Ele também sabia que eu era sua mamãe, se acomodou logo no colo e tirou um soninho. Deitou a cabecinha no meu braço, como quem diz, oi, mamãe !!! :o)))Doce, meiguinho, uma coisinha de olhos molhados... Os mesmos olhos de sua irmãzinha, os belos olhos de Meg. Mas ele era pelo menos o dobro dela, tão lindo e amoroso quanto !!!
Sempre foi um gato pacífico e tranqüilo, um gigante grandalhão e bondoso, amoroso com todos os gatos, novatos ou veteranos, adultos ou bebês. Por conta disso já levou muitas patadas de recém chegados, mas mesmo assim continua o mesmo amigo bonachão.
Pêssego é um tesouro, um gato muito bom e educado. Chamo-o de peixe dourado, pela interatividade quase zero. Na verdade, ele nunca foi muito de correrias e atropelos, nem dos arroubos típicos de filhotes. Um gato muito sério, muito centrado, que adora dormir e lamber filhotes. Adora a Felicity, é o único gato ao qual ela se apegou.

Ele já era chamado Pêssego por uma amiga que o viu nascer, e mantive o nome, pois realmente parecia um sorvete de Pêssego, com aqueles pedacinhos de fruta em meio ao creme. Sweet de doce porque bem... Combina, não ?

Nascido em: 18/09/02
Cor: Amarelo e branco
Pêlo: Semilongo
Raça: SRD
Particularidades: Maine Coon fake. Grandalhão e desajeitado, parece um adolescente eterno. Acha que ainda é um bebê, e quer caber nos menores cantinhos Tem FIV, diagnosticada em 2005, quando quase morreu, mas apesar dela é super saudável e vive muito bem.