OTHELLO, O MOURO DE VENEZA
Melhor dizendo, da praça. :)
Minha irmã estava passando por uma rua, não me perguntem porque, nem o que tinha ido fazer.
Só sei que ela passava, ela e o então amigo, mais tarde seu noivo, o Flávio.
Passavam quando viram um bichinho preto parado feito bobo ao lado de uma loja de mármores.
Chegaram mais perto, e ele nada, não fugiu, não saiu correndo, só ficou parado olhando.
E ela, claro, foi logo pegando no colo, fazendo carinho, e o gato só parado, olhando, todo molinho...
Irmã de gateira, gateira é. E... Lá veio ela para casa com o pequeno morceguinho à tiracolo.
No caminho viu que alguém tinha cortado a ponta do rabo do gatinho, mas felizmente não chegou a machucar, só cortaram o pelo. Mas foi bem rente, foi por um triz...
Quando chegaram aqui em casa, olhei para ele e pronto... Já vi mesmo que não saía mais, ou daqui de casa, ou da casa dela. E realmente, lá ficou, hehehehe... Não tivemos coragem de tentar doá-lo, é preto... E se fizessem alguma maldade ? Sem contar que em termos de doar gatos, minha irmã era um fracasso completo, igualzinha à mim, hehehehehe...
Bom, ele estava com marcas de unhadas, de unhas de gente, dos dois lados do corpo. Suponho que tenha sido agarrado por alguém que queria usá-lo para qualquer coisa excusa ( quem sabe até um ritual ), mas ele de alguma forma se desvencilhou e fugiu, indo parar em frente à loja de mármores. Quem sabe estava tão parado de cansaço...
Não importa. O fato é que o Otello se tornou um gatinho muito amado e dengoso, minha mãe o adorava, porque era todo bonzinho e quietinho, e adora colo... Como você colocava, ele ficava.
Após a morte da minha irmã, passou uma boa temporada aqui em casa, mas não se adaptava de jeito nenhum aos meus gatos, e foi então morar no Texas com a mãe do Flávio.
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